Trump anuncia possível escolta da Marinha dos EUA a petroleiros no Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira, 3 de março de 2026, que a Marinha norte-americana poderá iniciar a escolta de petroleiros que atravessem o Estreito de Ormuz, caso a escalada do conflito com o Irã represente uma ameaça ao fluxo global de energia. A afirmação ocorre apenas um dia após Teerã anunciar oficialmente o fechamento dessa rota estratégica e alertar que incendiaria qualquer embarcação que tentasse cruzar a área.
Declaração nas redes sociais e medidas anunciadas
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump escreveu: "Se for necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar os petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO". Além disso, o presidente revelou ter orientado a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, uma agência federal, a oferecer seguro contra riscos políticos e garantias para todo o comércio marítimo que atravesse o Golfo Pérsico.
Contexto do conflito e impactos econômicos
Essa fala surge em meio à intensificação da ofensiva iniciada no fim de semana, quando bombardeios conjuntos de Israel e Estados Unidos atingiram o Irã, destruindo instalações militares e resultando na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Desde o início dos ataques, o petróleo americano acumula uma alta próxima de 10 dólares por barril, movimento que já começa a pressionar os preços da gasolina nos Estados Unidos.
De acordo com fontes familiarizadas com as discussões, ouvidas pela emissora CNN, Washington avalia garantir o seguro necessário para que navios-tanque continuem transitando pela região. Seguradoras marítimas já elevaram prêmios de risco e, em alguns casos, cancelaram coberturas para embarcações que cruzam a área. Um ex-funcionário do Departamento de Defesa afirmou que o Pentágono discute uma missão semelhante às operações realizadas no Mar Vermelho, quando os EUA deslocaram porta-aviões e destróieres para proteger a navegação comercial.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma passagem crucial que responde por cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo. Ele liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica. Em seu ponto mais estreito, possui apenas 33 quilômetros de largura, com faixas de navegação de aproximadamente 3 quilômetros em cada direção.
Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento da rota e afirmou que qualquer navio que tentasse cruzá-la seria incendiado. Antes mesmo da declaração oficial, o tráfego marítimo na região já havia sido drasticamente reduzido. Os membros da OPEP, como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, exportam a maior parte do seu petróleo bruto pelo estreito, principalmente para a Ásia. O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, também envia quase toda a sua produção por essa via.
Riscos econômicos e reações do mercado
Para o economista Sylvain Bersinger, fundador do escritório Bersingéco, essa situação faz "surgir o risco de um terceiro choque petrolífero, depois dos de 1973 e 1979 e após o choque do gás de 2022". Em declaração à agência de notícias AFP, ele destacou que "o cenário de um barril de petróleo que suba até 110 dólares pode ser considerado um cenário crível".
Economistas do banco francês Natixis alertaram que "qualquer interrupção duradoura" no estreito "teria implicações relevantes não apenas para os mercados de energia, mas também para a dinâmica da inflação e a estabilidade econômica global". Os primeiros reflexos já apareceram nas bolsas asiáticas e europeias, pressionadas pela busca de ativos considerados mais seguros. O dólar avançou cerca de 1% frente a outras moedas, enquanto o ouro também registrou alta semelhante, negociado a 5.298,90 dólares a onça.
Estratégia militar e perspectivas futuras
Relatos indicam que a estratégia atual da Marinha dos EUA deve priorizar a interceptação de mísseis capazes de atingir embarcações civis, mais do que confrontos navais diretos. Desde o início da ofensiva conjunta com Israel, forças americanas afirmam ter afundado 11 embarcações iranianas. Na segunda-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o governo apresentará um plano para conter a disparada do petróleo, mas não detalhou as medidas específicas.
Caso o bloqueio se prolongue, analistas avaliam que o mundo poderá enfrentar uma nova rodada de volatilidade nos mercados, com potenciais impactos na economia global. A situação permanece tensa, com os Estados Unidos demonstrando disposição para garantir a segurança do tráfego marítimo, enquanto o Irã mantém suas ameaças de retaliar contra embarcações que desafiem seu fechamento do Estreito de Ormuz.



