Revelação da CIA sobre sexualidade do líder iraniano gera polêmica internacional
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou publicamente na noite de quinta-feira, 26 de março de 2026, ter recebido um relatório confidencial da Agência Central de Inteligência (CIA) que aponta o novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, como homossexual. A informação, que inicialmente foi divulgada pelo jornal New York Post em 16 de março, ganhou dimensão global após as declarações de Trump em entrevista à rede conservadora Fox News.
Contexto delicado em país onde homossexualidade é crime capital
O assunto é particularmente sensível no Irã, onde a homossexualidade é considerada crime passível de pena de morte segundo a legislação baseada na sharia (lei islâmica). A revelação coloca Mojtaba Khamenei em situação extremamente delicada, já que ele assumiu recentemente o cargo de líder supremo após o assassinato de seu pai, Ali Khamenei, durante os primeiros dias do conflito no Oriente Médio.
Segundo o relatório da CIA mencionado por Trump, o falecido Ali Khamenei teria expressado preocupação de que a sexualidade do filho pudesse torná-lo inadequado para sucedê-lo na liderança do país. A inteligência americana acredita que Mojtaba Khamenei mantinha um relacionamento sexual de longa data com seu tutor da infância, informação que Trump teria considerado divertida, rindo alto ao tomar conhecimento.
Declarações controversas de Trump em entrevista
Questionado especificamente sobre o assunto durante a entrevista, Trump respondeu de maneira evasiva: "Disseram isso, sim, mas não sei se foram só eles (a CIA). Acho que muita gente está dizendo isso, o que coloca (Mojtaba Khamenei) em desvantagem naquele país em particular."
O ex-presidente americano rapidamente mudou o foco da conversa para criticar grupos ativistas, mencionando especificamente organizações feministas e LGBTQIA+ que apoiam a causa palestina. "Eu meio que dou um sorriso quando vejo pessoas tentando defender o regime palestino em nome das mulheres — mulheres pela Palestina. Mas eles matam mulheres se você não usar um certo pano cobrindo o rosto", afirmou Trump, aparentemente referindo-se ao uso obrigatório do hijab.
Ele continuou sua crítica: "Quando eu olho para grupos como 'Gays pela Palestina', eles matam gays… e eu me pergunto, quem são os 'Gays pela Palestina'?", questionou retoricamente, misturando diferentes questões geopolíticas em suas observações.
Paradeiro incerto do novo líder supremo
Mojtaba Khamenei não foi visto publicamente desde o ataque aéreo que matou seu pai e desencadeou a guerra no Oriente Médio. Em sua primeira declaração oficial após ser eleito líder supremo, quando prometeu vingar-se dos Estados Unidos e de Israel, ele não apareceu em vídeo — a mensagem foi lida por um apresentador na televisão estatal iraniana.
Há especulações de que ele tenha sido ferido no mesmo bombardeio que ceifou a vida de seu pai. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou na semana passada que Khamenei estava "bem", mas o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, contradisse essa versão, declarando que o líder iraniano está "provavelmente desfigurado".
Hegseth foi mais específico em suas alegações: "Sabemos que o novo, o chamado 'não tão supremo', líder está ferido e provavelmente desfigurado. Ele divulgou uma declaração ontem (12 de março), uma declaração fraca, na verdade – mas não havia áudio nem vídeo. Foi uma declaração escrita. Acho que vocês sabem o porquê", insinuando que as feridas seriam a razão da ausência de imagens.
O próprio Trump já questionou publicamente se o aiatolá de 56 anos estaria vivo: "Não sei nem se ele está vivo. Até agora, ninguém conseguiu mostrá-lo", declarou, embora tenha reconhecido que afirmações sobre sua morte poderiam ser consideradas "boato".
Perfil do controverso sucessor
Nascido em 8 de setembro de 1969, em Mexede, no leste do Irã, Mojtaba Khamenei é um dos seis filhos de Ali Khamenei e o único que mantinha uma posição pública significativa, embora nunca tenha ocupado um cargo oficial governamental. Reconhecível por sua barba grisalha e turbante negro — símbolo dos seyed, descendentes do profeta Maomé —, ele sempre atuou nos bastidores do poder iraniano.
Em 2019, o Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções a Mojtaba Khamenei, justificando que ele "representava oficialmente o líder supremo, embora nunca tenha sido eleito nem nomeado para um cargo governamental além de suas funções no escritório do pai". Segundo o documento oficial, Ali Khamenei "delegou parte de suas responsabilidades de liderança ao filho", que trabalhou "em estreita colaboração" com unidades da Guarda Revolucionária para avançar objetivos regionais e internos.
Mojtaba é considerado próximo dos setores conservadores iranianos, especialmente por seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o braço militar ideológico da república islâmica. Essa relação remonta à sua participação em uma unidade de combate durante a guerra entre Iraque e Irã (1980-1988). Opositores do regime o responsabilizam por desempenhar papel importante na violenta repressão aos protestos que seguiram a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad em 2009.
Segundo investigação da Bloomberg, Mojtaba Khamenei enriqueceu consideravelmente ao estabelecer uma extensa rede de empresas de fachada no exterior. No campo religioso, estudou teologia na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, onde também atuou como professor. Ele detém o título religioso de hojatoleslam, nível intermediário na hierarquia clerical xiita, inferior ao de aiatolá mantido por seu pai e por Ruhollah Khomeini, líder da revolução iraniana de 1979.
A combinação entre as alegações sobre sua sexualidade, seu paradeiro incerto e seu histórico controverso cria um cenário político extremamente complexo no Irã, com potenciais repercussões em toda a região do Oriente Médio e nas relações internacionais.



