O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração surpreendente nesta quarta-feira (15) na rede social Truth Social, afirmando que está "abrindo permanentemente o Estreito de Ormuz". Esta fala ocorre apenas dois dias após seu governo ter iniciado um bloqueio a navios que circulam pelo estreito, saindo ou chegando a portos iranianos, em uma estratégia de estrangulamento financeiro semelhante à adotada na Venezuela em janeiro deste ano.
Contradição entre discurso e ação
Em sua publicação, Trump vinculou a abertura à China, grande interessada na rota, dizendo: "A China está muito feliz porque estou abrindo permanentemente o Estreito de Ormuz. Estou fazendo isso por eles também — e pelo mundo. Essa situação nunca mais vai acontecer." Ele acrescentou que a China concordou em não enviar armas ao Irã e mencionou um futuro encontro com o presidente Xi Jinping, destacando uma cooperação "inteligente" que evita conflitos, mas lembrando a capacidade militar americana.
Bloqueio em andamento e impacto econômico
Paralelamente à declaração, o Comando Central dos Estados Unidos informou que nove embarcações cumpriram ordens das forças americanas para retornar a portos ou áreas costeiras do Irã durante o bloqueio. Apesar de o Irã nunca ter fechado completamente o estreito, permitindo a passagem de petroleiros de parceiros estratégicos mediante um "pedágio" de até US$ 2 milhões por navio, a medida de Trump corta uma fonte vital de receita.
Segundo dados da empresa Kpler, o Irã exporta, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia, representando cerca de 10% a 15% do PIB do país. Ao bloquear a via para embarcações, Trump visa pressionar economicamente o governo iraniano, em uma tática que já mostrou resultados em outros contextos.
Reação iraniana e ameaças de retaliação
Em resposta ao bloqueio, o Irã ameaçou, também nesta quarta-feira, bloquear o fluxo comercial no Mar Vermelho caso a medida persista. Esta retaliação potencial poderia agravar as tensões na região, afetando rotas comerciais globais e elevando o risco de conflitos mais amplos.
A estratégia de Trump, portanto, apresenta uma dualidade: enquanto anuncia uma abertura permanente, mantém ações concretas de bloqueio que impactam diretamente a economia iraniana. Esse movimento reflete uma abordagem de pressão máxima, combinando discurso diplomático com medidas coercitivas, em um cenário geopolítico complexo envolvendo potências como China e Irã.



