Paquistão e Afeganistão iniciam negociações na China para cessar-fogo e reabertura de fronteiras
Afeganistão e Paquistão deram início nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, a uma nova rodada de negociações na China, com o objetivo de encerrar os combates mais letais entre os dois países muçulmanos desde o retorno do Talibã ao poder em 2021. O diálogo, promovido a pedido de Pequim, busca estabelecer um cessar-fogo e discutir a reabertura de passagens fronteiriças para retomar o comércio e a circulação de pessoas entre as nações vizinhas.
China atua como mediadora em conflito histórico
A China, que faz fronteira com ambas as nações, posicionou-se como mediadora neste conflito complexo. As três delegações reuniram-se na cidade de Urumqi, localizada no noroeste chinês, conforme confirmado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês, Tahir Andrabi. Ele destacou que, durante as tratativas, o Afeganistão terá que demonstrar "ações visíveis e verificáveis contra grupos terroristas" que utilizam solo afegão para atacar o Paquistão.
As relações entre Paquistão e Afeganistão têm oscilado entre diplomacia cautelosa e hostilidade aberta nos últimos cinco anos. A fronteira compartilhada permanece um dos pontos mais voláteis da Ásia Central, marcada por disputas históricas e por fluxos contínuos de refugiados e insurgentes, o que intensifica as tensões regionais.
Escalada de hostilidades e centenas de mortos
Desde outubro do ano passado, o conflito já resultou em centenas de mortos em ambos os lados, com a maioria das vítimas registradas no Afeganistão. A situação deteriorou-se significativamente após ataques aéreos realizados pelo Paquistão, que acusa o Talibã de abrigar grupos armados responsáveis por atentados em território paquistanês. Cabul, por sua vez, nega veementemente essas acusações e argumenta que o extremismo é uma questão interna do país vizinho.
Uma trégua temporária foi anunciada no final de março, durante o feriado islâmico do Eid al-Fitr, a pedido de nações como Turquia, Catar e Arábia Saudita. No entanto, os confrontos foram retomados poucos dias depois, com trocas de disparos ao longo da extensa fronteira entre os dois países, demonstrando a fragilidade dos acordos anteriores.
Acusações recentes e contexto regional
No mês passado, Cabul afirmou que mais de 400 pessoas foram mortas em um ataque aéreo paquistanês contra um centro de reabilitação de dependentes químicos na capital afegã. O Paquistão rejeitou as acusações do Talibã sobre o bombardeio, alegando que "atingiu com precisão instalações militares e infraestrutura de apoio a terroristas".
Paralelamente, o Paquistão também tem se posicionado como mediador na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que entra em sua quinta semana. Recentemente, o Exército israelense retirou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, de sua lista de alvos, a pedido do governo paquistanês, destacando o papel crescente do país em conflitos internacionais.
As negociações em Urumqi representam uma tentativa crucial de estabilizar a região, mas os desafios são significativos, dada a desconfiança mútua e as profundas divergências sobre questões de segurança e terrorismo. O sucesso deste diálogo poderá influenciar não apenas as relações bilaterais, mas também a dinâmica geopolítica mais ampla na Ásia Central.



