ONU exige respostas dos EUA sobre ataque aéreo que matou 175 em escola iraniana
O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Volker Türk, fez um apelo urgente nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, exigindo que o governo dos Estados Unidos conclua com máxima celeridade sua investigação sobre o devastador ataque aéreo contra a escola primária Shajarah Tayyebeh, localizada no Irã. O bombardeio ocorreu em 28 de fevereiro e resultou na morte de pelo menos 175 pessoas, sendo a maioria crianças, conforme confirmado pelas autoridades locais.
Crime de guerra calculado, segundo autoridades iranianas
Durante sua intervenção no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Türk declarou com veemência: "Funcionários de alto escalão americanos afirmaram que o bombardeio está sendo investigado. Peço insistentemente que o processo seja finalizado o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas de maneira transparente. É fundamental que se faça justiça pelo terrível dano causado a tantas famílias inocentes". O representante da ONU acrescentou ainda que "cabe àqueles que efetuaram o ataque investigar de maneira rápida, imparcial, transparente e exaustiva todos os aspectos deste trágico episódio".
Em contrapartida, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, apresentou uma mensagem de vídeo no mesmo Conselho, onde classificou o ataque como uma operação "calculada" dos Estados Unidos. Araqchi foi enfático ao descrever a ação como "um crime de guerra e um crime contra a humanidade", rejeitando qualquer tentativa de justificativa por parte das autoridades americanas.
Apelo emocionado de mãe de vítimas e investigações preliminares
Através de uma comovente mensagem de vídeo, uma mãe que perdeu duas crianças no ataque fez um apelo emocionado: "A verdade deve ser trazida à tona sem demora". Ela identificou os Estados Unidos e Israel como "a causa primordial desse sofrimento indescritível" e exigiu que ambas as nações sejam responsabilizadas judicial e moralmente. "Apelo ao Conselho de Direitos Humanos, aos seus membros, às instituições responsáveis e a todos aqueles que têm o dever e a capacidade de defender a vida das crianças, para que não permitam que esta tragédia seja esquecida ou ignorada pela comunidade internacional", suplicou a mãe.
Investigações preliminares conduzidas por fontes independentes e reportadas pelo jornal The New York Times indicam que os Estados Unidos são efetivamente responsáveis pelo ataque aéreo contra a escola em Minab. A análise detalhada sugere que o bombardeio de 28 de fevereiro resultou de um grave erro de direcionamento por parte das Forças Armadas americanas, que realizavam operações contra uma base iraniana adjacente. Curiosamente, o prédio da escola fazia parte dessa instalação militar em períodos anteriores.
Falha operacional e implicações jurídicas internacionais
Segundo as investigações, oficiais do Comando Central dos EUA criaram as coordenadas do alvo para o ataque utilizando dados desatualizados fornecidos pela Agência de Inteligência de Defesa. Esta falha operacional levou a uma tragédia humanitária de proporções catastróficas. É importante ressaltar que, de acordo com o direito internacional humanitário, ataques deliberados a escolas, hospitais ou qualquer estrutura civil são considerados crimes de guerra, sujeitos a severas penalidades e condenações internacionais.
Se o envolvimento direto dos Estados Unidos for confirmado através das investigações em andamento, este episódio poderá se tornar um dos piores casos de vítimas civis ao longo de todas as décadas de envolvimento americano em conflitos no Oriente Médio. A pressão da ONU e da comunidade internacional aumenta a cada dia, exigindo transparência, responsabilidade e justiça para as famílias afetadas por esta tragédia evitável.



