Aiatolá Ali Khamenei será sepultado em Mashhad, sua cidade natal, após morte em bombardeios
Khamenei será sepultado em Mashhad após morte em bombardeios

Líder supremo do Irã será enterrado em cidade sagrada após morte em bombardeios

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto no sábado durante bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel, será sepultado na cidade sagrada de Mashhad, conforme informou a agência de notícias Fars nesta segunda-feira. A data exata do enterro ainda será definida pelas autoridades iranianas.

Cerimônia fúnebre terá início amanhã e seguirá até sexta-feira

O governo iraniano organizou uma grande cerimônia de despedida para o falecido líder, com uma homenagem pública planejada para ocorrer na capital Teerã. A previsão é de que os eventos fúnebres tenham início amanhã e se estendam até sexta-feira, dia 6. Os detalhes completos, incluindo horários e programação específica, ainda serão anunciados oficialmente.

Mashhad, localizada no nordeste do Irã, não é apenas a cidade onde Khamenei nasceu em 1939, mas também o local onde seu pai está enterrado, no santuário do imã Reza. Esta conexão familiar e religiosa torna o local especialmente significativo para o sepultamento do líder que governou o país desde 1989.

Trajetória política e religiosa do aiatolá

Como líder supremo do Irã, Khamenei detinha autoridade máxima sobre todos os ramos do governo, as Forças Armadas e o Judiciário na República Islâmica xiita. Ele era simultaneamente chefe de Estado e comandante-chefe, com palavra final sobre todas as políticas públicas do país.

Sua formação religiosa e política ocorreu principalmente na década de 60, quando se envolveu em movimentos que questionavam o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi. De acordo com sua biografia oficial, Khamenei foi torturado em 1963, aos 24 anos, durante sua primeira de muitas prisões por atividades políticas contra o governo do xá.

O estudo religioso em Qom o colocou sob forte influência do pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora desde o exílio. Khamenei aproximou-se do movimento de Khomeini, ajudando a organizá-lo e executando missões em território iraniano.

Ascensão ao poder e atentado que marcou sua vida

Khamenei participou ativamente dos protestos de 1978 que antecederam a Revolução Iraniana no ano seguinte, tornando-se aliado próximo de Khomeini. Em 1980, quando Khomeini já era líder supremo, escolheu Khamenei para ser o imã que faria a tradicional oração de sexta-feira em Teerã.

Em junho de 1981, o então religioso sofreu um atentado a bomba que deixou seu braço direito paralisado permanentemente. Apenas quatro meses após o ataque, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos, tornando-se o primeiro clérigo a assumir o cargo e consolidando o domínio religioso sobre o Estado.

Reeleito em 1985, exerceu a presidência até 1989, quando Khomeini faleceu de ataque cardíaco. A Assembleia dos Peritos, órgão responsável pela escolha do líder supremo, decidiu por comum acordo que Khamenei assumiria o cargo, seguindo indicações de que o próprio Khomeini o havia escolhido como sucessor.

Sucessão e governo temporário

Com a morte de Khamenei, a constituição iraniana estabelece que um novo líder deve ser escolhido dentro de três meses. Até lá, o presidente Masoud Pezeshkian, o membro do Conselho dos Guardiões aiatolá Alireza Arafi e o chefe do Judiciário aiatolá Gholamhossein Mohseni-Ejei assumirão o comando como um conselho de liderança temporário.

A escolha definitiva do novo líder é responsabilidade da Assembleia de Especialistas, composta por aproximadamente 90 clérigos seniores eleitos a cada oito anos. No entanto, com a continuação dos ataques militares na região, não está claro como ou quando este órgão poderá se reunir para tomar a decisão.

Khamenei nunca nomeou publicamente um sucessor preferido, o que significa que a decisão provavelmente será tomada pelas figuras mais importantes da República Islâmica que exerceram o poder sob seu comando por muitos anos. O sucessor recomendado terá então que ser aprovado formalmente pela Assembleia.