Israel promete intensificar ataques ao Irã mesmo com adiamento de ultimato por Trump
O cenário no Oriente Médio permanece extremamente tenso, com Israel anunciando que pretende intensificar seus ataques contra o Irã, mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter adiado em dez dias seu ultimato à nação persa. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou em vídeo divulgado por seu gabinete que o Irã pagará "um preço alto, cada vez mais alto" por seus ataques contra civis israelenses.
Cabo de guerra diplomático e militar
Enquanto Trump busca formas de sair honrosamente de uma guerra cheia de complicações, anunciando que as negociações com o Irã estão "muito bem encaminhadas", Israel demonstra postura mais agressiva. Katz afirmou que os ataques das Forças de Defesa de Israel serão expandidos para outros alvos em setores que ajudam o regime iraniano a desenvolver meios militares.
Este alerta evidencia o cabo de guerra entre Trump e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense cujo prestígio cresceu com o conflito, já que grande parte da população israelense deseja ver enfraquecido o governo fundamentalista xiita do Irã.
Vítimas humanas e alertas internos
Segundo informações da agência Reuters, mais de 1.900 pessoas foram mortas e pelo menos 20 mil ficaram feridas no Irã desde o início dos ataques conjuntos de americanos e israelenses em 28 de fevereiro. A única organização humanitária atuando no país atualmente é o Crescente Vermelho Iraniano, conforme confirmou Maria Martinez, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
Internamente em Israel, a oposição começa a emitir alertas. Yair Lapid, líder da oposição israelense, afirmou pela primeira vez que a guerra está causando número excessivo de baixas e que o governo está abandonando o Exército no campo de batalha. Seu aviso ecoou declarações do tenente-general Eyal Zamir, chefe das Forças Armadas israelenses.
Negociações contraditórias e planos de paz
Na noite de quinta-feira, Trump anunciou que, a pedido do governo iraniano, adiou para 6 de abril sua ameaça de destruir a infraestrutura energética do Irã. O presidente americano inicialmente havia dado 48 horas ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, depois estendeu o prazo para cinco dias, que venceria nesta sexta-feira.
Relatos indicam que o governo Trump criou um plano de 15 pontos para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, apresentado aos iranianos através do Paquistão. A proposta incluiria trégua inicial de trinta dias com restrições severas ao arsenal de mísseis balísticos iraniano, fim total do programa de enriquecimento de urânio e compartilhamento do controle do Estreito de Ormuz.
Oficialmente, a mídia estatal iraniana informou que Teerã rejeitou a proposta americana, listando suas próprias condições para o fim da guerra. No entanto, fontes reservadas sugerem que autoridades iranianas estão, pelo menos, analisando o plano.
Intermediação paquistanesa e sinais de boa fé
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, confirmou pela primeira vez na quinta-feira que há negociações indiretas em curso entre Washington e Teerã, com Islamabad atuando como intermediário. Enquanto isso, Trump anunciou que a Guarda Revolucionária Islâmica permitiu a passagem de dez petroleiros pelo Estreito de Ormuz como "sinal de boa fé" e um "presente" aos Estados Unidos durante as tratativas.
O cenário permanece incerto e volátil, com Israel prometendo intensificação militar enquanto diplomatas tentam costurar um acordo que possa encerrar um conflito que já causou milhares de vítimas e ameaça desestabilizar ainda mais a já conturbada região do Oriente Médio.



