Crise petrolífera se intensifica com fechamento de terminais no Oriente Médio
O Iraque e Omã foram forçados a fechar seus terminais de exportação de petróleo nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, após uma série de ataques a embarcações na região do Estreito de Ormuz. A medida ocorre em meio ao que a Agência Internacional de Energia (AIE) classificou como "a maior crise no fornecimento da história do mercado global de petróleo".
Ataques coordenados atingem múltiplas embarcações
Os incidentes mais recentes envolveram dois petroleiros na costa iraquiana: o Safesea Vishnu, com bandeira das Ilhas Marshall e operado por empresas norte-americanas, e o Zefyros, com bandeira de Malta e operado por empresa britânica. A Guarda Revolucionária Islâmica, força militar iraniana, reivindicou a autoria do ataque ao primeiro navio, alegando que a embarcação havia "desobedecido e ignorado" alertas prévios.
Autoridades iraquianas afirmam que o Irã é responsável por ambos os disparos, que resultaram em uma morte confirmada. As duas embarcações eram utilizadas por Bagdá para transporte de petróleo e foram atingidas durante operações de transferência de carga entre navios.
Escala da violência marítima se expande
De acordo com a agência marítima britânica UKMTO, um terceiro navio com bandeira das Ilhas Marshall foi atingido por projétil não identificado próximo a Dubai. Na quarta-feira anterior, dois projéteis atribuídos à Guarda Revolucionária Islâmica já haviam atingido um graneleiro tailandês e um porta-contêineres japonês na mesma região.
Pelo menos 16 navios que operavam no Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Omã sofreram ataques desde o início do conflito em 28 de fevereiro. A escalada da violência forçou o fechamento completo dos portos petrolíferos iraquianos e do terminal de exportação em Omã, embora portos comerciais permaneçam operacionais.
Declarações iranianas acentuam tensões
O Irã declarou publicamente que não permitirá a passagem de carregamentos de petróleo que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados pelo Estreito de Ormuz, rota crucial por onde transitam aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente. Anteriormente, a Guarda Revolucionária Islâmica havia garantido que não permitiria que "um litro de petróleo" fosse exportado da região enquanto território iraniano continuasse sob ataque.
Impacto econômico global significativo
Os preços do petróleo dispararam imediatamente após os ataques e declarações, mesmo com esforços coordenados dos Estados Unidos e outras grandes economias para estabilizar os mercados. A AIE prometeu na quarta-feira liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência, mas um relatório divulgado nesta quinta-feira indica que a oferta global deverá cair em 8 milhões de barris por dia devido à redução do tráfego pelo estreito.
Paralelamente aos ataques marítimos, o Catar relatou ter interceptado mísseis, enquanto a Arábia Saudita destruiu dois drones que tinham como alvo o gigantesco campo petrolífero de Shaybah. Estas ações complementares demonstram como a crise se expande para além das rotas marítimas, afetando infraestrutura crítica em terra.
A situação atual representa não apenas uma grave ameaça à segurança marítima internacional, mas também um desafio sem precedentes para a estabilidade energética global, com consequências econômicas que podem se estender por meses ou mesmo anos.
