Irã restabelece controle rigoroso sobre Estreito de Ormuz após EUA manterem bloqueio
O Quartel-General Central de Hazrat Khatam al-Anbiya anunciou neste sábado que o Estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior de controle rigoroso, em resposta à recusa dos Estados Unidos em suspender o bloqueio aos portos iranianos. Segundo comunicado citado pela Sky News, a medida foi tomada porque "os americanos continuam com o chamado bloqueio", apesar de acordos anteriores nas negociações.
Comunicação oficial e contradições
O porta-voz militar afirmou que a República Islâmica do Irã havia concordado "de boa-fé" com a passagem controlada de um número limitado de embarcações pelo estreito, mas que a situação retornou ao controle anterior devido à postura americana. A rota marítima está novamente fechada e qualquer passagem requer aprovação direta do Irã, conforme informou a emissora estatal IRIB.
Esta declaração contrasta com o anúncio feito na sexta-feira pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Aragchi, que havia declarado a abertura total da passagem para todos os navios comerciais durante o período restante do cessar-fogo no Líbano. Em publicação na rede social X, o ministro escreveu que a medida estava "em consonância com o cessar-fogo no Líbano" e seguia a rota coordenada já anunciada pela Organização Portuária e Marítima iraniana.
Reação americana e contexto do conflito
O presidente norte-americano Donald Trump reagiu à abertura anunciada com mensagens em letras maiúsculas, afirmando que "O ESTREITO DO IRÃ ESTÁ TOTALMENTE ABERTO E PRONTO PARA A PASSAGEM TOTAL". No entanto, em outra publicação, alertou que o bloqueio naval permaneceria em vigor apenas em relação ao Irã até que as negociações estivessem "100% concluídas".
Trump garantiu que Teerã "concordou em nunca mais fechar" a rota marítima e classificou o momento como "UM DIA MARAVILHOSO E BRILHANTE PARA O MUNDO!". O presidente americano indicou ainda que um acordo com o Irã deve ser alcançado rapidamente, "já que a maioria dos pontos já foi negociada".
Consequências do conflito e bloqueio
As negociações buscam encerrar a guerra desencadeada pela ofensiva lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. O Irã respondeu com:
- Ataques contra Israel e países da região
- Bloqueio do Estreito de Ormuz
- Medidas que afetaram cerca de um quinto do comércio mundial de produtos energéticos
A guerra e o bloqueio do estreito causaram impactos significativos:
- Disparada nos preços do petróleo em mercados internacionais
- Temores de crise econômica global devido à interrupção do fluxo energético
- Milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano
O Líbano foi arrastado para o conflito após ações do Hezbollah, que atacou Israel após a morte do líder iraniano Ali Khamenei. Israel recusou incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mas após intervenção de Washington, concordou com uma trégua de 10 dias na ofensiva contra o Hezbollah.
O comunicado militar iraniano finalizou afirmando que "enquanto os Estados Unidos não garantirem a total liberdade de passagem de embarcações do Irã de e para o Irã, a situação no estreito de Ormuz permanecerá sob controle rigoroso e em seu estado anterior", mantendo a tensão geopolítica em um dos pontos marítimos mais estratégicos do mundo.



