Irã rejeita proposta de paz dos EUA e apresenta contraproposta com cinco condições
Irã rejeita proposta de paz dos EUA e apresenta contraproposta

Irã rejeita proposta de paz dos Estados Unidos e apresenta contraproposta com cinco condições

Os Estados Unidos e o Irã elaboraram planos distintos com condições para encerrar a guerra no Oriente Médio, que completa um mês no próximo sábado (28). As propostas foram divulgadas pelas imprensas dos dois países entre terça-feira (24) e esta quarta-feira (25), revelando um impasse nas negociações de paz.

Proposta norte-americana com 15 pontos

O primeiro plano que começou a circular foi o dos Estados Unidos. Segundo a imprensa americana, a proposta tem 15 pontos e foi enviada ao Irã por intermédio do Paquistão. O plano inclui demandas sobre armas e o enriquecimento de urânio do país, com termos específicos:

  • O compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares;
  • A limitação do alcance e da quantidade de mísseis;
  • A desativação das usinas de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow;
  • O fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah;
  • A criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.

O Wall Street Journal afirma que os Estados Unidos ofereceram suspender as sanções econômicas impostas ao Irã no contexto do programa nuclear. Os norte-americanos também disseram que podem auxiliar e monitorar o programa nuclear civil, com fins pacíficos. Ainda segundo o jornal, o plano segue, em linhas gerais, o que os Estados Unidos já defendiam nas negociações antes do início da guerra.

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Segundo o Canal 12, de Israel, o plano também prevê um cessar-fogo de 30 dias para o avanço das negociações, indicando uma tentativa de criar um ambiente propício para diálogos mais profundos.

Rejeição iraniana e contraproposta

Nesta quarta-feira, o Irã usou a imprensa estatal para rejeitar publicamente a proposta norte-americana. Em comunicado, Teerã chamou o plano de excessivo e desconectado da realidade e disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, não ditará o fim do conflito.

O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas, disse o governo iraniano, segundo a Press TV.

O governo iraniano também afirmou ter enviado uma contraproposta com cinco condições sob as quais o Irã concordaria em encerrar a guerra. Elas incluem:

  1. A interrupção total da agressão e dos assassinatos por parte do inimigo;
  2. O estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja retomada;
  3. O ressarcimento e reparações por danos causados durante a guerra;
  4. O fim da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região;
  5. O exercício da soberania do Irã sobre o Estreito de Ormuz.

Autoridades iranianas disseram ainda que essas exigências se somam a outras demandas já apresentadas por Teerã durante uma rodada de negociações com EUA feita poucos dias antes do início da guerra.

Negociações em andamento e tensões

Por outro lado, fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que o Irã ainda não rejeitou completamente a proposta dos Estados Unidos. Além disso, o país deseja incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo em uma tentativa de acabar com os ataques de Israel ao grupo extremista Hezbollah.

Na mesma linha, o jornal The New York Times disse que, nos bastidores, autoridades iranianas estão sinalizando que estão abertas às negociações, sugerindo que há espaço para manobras diplomáticas apesar da retórica pública dura.

Declarações de Trump e contexto militar

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta quarta-feira que Trump vai desencadear o inferno contra o Irã se Teerã não aceitar um acordo para pôr fim à guerra.

Se o Irã não aceitar a realidade do momento atual, se não entender que foi derrotado militarmente e que continuará sendo, o presidente Trump garantirá que receba golpes mais duros do que quaisquer que já tenha recebido antes, afirmou.

Um dia antes, Trump disse que o Irã queria fazer um acordo e que o país não tinha mais líderes. As declarações são feitas ao mesmo tempo em que, segundo a Reuters, os EUA estão preparando o envio de milhares de soldados para o Oriente Médio.

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Na semana passada, a agência informou que autoridades com conhecimento do assunto afirmaram que os EUA podem realizar uma operação terrestre no país. Entre as opções está a tomada da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã.

Impacto político e econômico

Ainda nesta terça-feira, uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que a aprovação do governo Trump caiu para 36%, o menor nível do segundo mandato. Segundo a Reuters, a queda está ligada às ações de Trump na guerra contra o Irã. O conflito e a alta dos combustíveis são apontados como os principais fatores para essa deterioração na popularidade do presidente norte-americano.

O impasse nas negociações de paz reflete as profundas divergências entre os dois países, com o Irã insistindo em sua soberania e reparações, enquanto os Estados Unidos buscam concessões significativas em termos de desarmamento e influência regional. A guerra no Oriente Médio continua a ser um ponto crítico nas relações internacionais, com implicações para a estabilidade global e os preços do petróleo.