Irã autoriza passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz, mas ataques a rotas alternativas preocupam
Irã permite 20 petroleiros em Ormuz, mas ataques a rotas alternativas preocupam

Irã autoriza passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz, mas ataques a rotas alternativas preocupam especialistas

O governo do Paquistão anunciou neste sábado (28) que o Irã vai permitir a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz nos próximos dias. A medida ocorre em meio a um contexto de tensões regionais, onde Teerã tem tentado estrangular alternativas de escoamento de petróleo no Oriente Médio através de ataques a oleodutos e portos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

O estreito estratégico e as rotas alternativas ameaçadas

O Estreito de Ormuz é considerado a principal "torneira de petróleo" da região, mas não é a única via disponível. Existem rotas menores ainda em operação que se tornaram alvo frequente de drones e mísseis iranianos. Uma dessas alternativas fica a mais de 100 quilômetros de Ormuz, já no Golfo de Omã.

O porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, é um dos maiores centros de armazenamento de petróleo do mundo. No local termina o oleoduto que transporta a produção dos campos de Abu Dhabi, com capacidade de escoamento de aproximadamente 1,7 milhão de barris por dia - volume próximo ao exportado pelo Brasil.

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Outra rota alternativa significativa está na Arábia Saudita. Um oleoduto de cerca de 1.200 quilômetros atravessa o país até o porto de Yanbu. De lá, os petroleiros seguem pelo Mar Vermelho e cruzam o estreito de Bab el-Mandeb.

Ataques persistentes e ameaças em expansão

Tanto Fujairah quanto Yanbu já foram alvo de ataques diretos. Além disso, navios que partem de Yanbu passaram a enfrentar a ameaça dos houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado do Irã, que atua na região de Bab el-Mandeb. Um líder da organização afirmou que os houthis estão prontos para entrar no conflito de forma mais direta.

Segundo especialistas, essas rotas alternativas têm sido cruciais para conter uma alta ainda mais acentuada no preço do petróleo global. O analista de ações da Genial Investimentos, Vitor Sousa, afirma que o barril não ultrapassou os US$ 150 justamente porque países da região passaram a utilizar esses caminhos secundários.

"Contribui, com certeza", diz Sousa. "Eu acho que o preço do petróleo não está acima de 150 dólares, exatamente porque os países ao redor do Estreito de Ormuz estão utilizando essas rotas alternativas. Então, são como se fossem vários capilares, enquanto que o principal, a principal artéria não está sendo utilizada."

Impacto duradouro na infraestrutura energética

Até agora, os ataques não foram suficientes para interromper completamente o fluxo de petróleo por essas vias alternativas, mas já preocupam especialistas pelo potencial de danos de longo prazo. A reconstrução de instalações de refino, armazenamento e terminais portuários pode levar anos - um impacto mais duradouro do que o bloqueio temporário do próprio Estreito de Ormuz.

O professor de relações internacionais Leonardo Trevisan afirma que os ataques à infraestrutura energética atingem um ponto sensível da economia global. Segundo ele, ao contrário de um bloqueio marítimo, que pode ser revertido em menos tempo, a destruição de portos e estruturas de escoamento reduz significativamente a oferta e exige um longo período de recuperação.

"O Irã bateu onde dói", explica Trevisan. "O caso do escoamento é bem diferente do de Ormuz. Os portos de escoamento, bombardeados como eles foram pelo Irã, é bater onde dói, porque aí, nesse caso, é o que nós já vimos: a oferta cai de 25 milhões para 9 milhões de barris de petróleo, praticamente 60% da oferta que sai por esses portos está contida."

O especialista complementa: "Isso não significa só que os oito países que usavam Fujairah, inclusive o Irã, passaram a perder dinheiro. O que vai acontecer é que vai levar um tempo enorme para você reconstruir a oferta natural. Ao levar esse tempo para reconstruir a oferta natural, o petróleo vai experimentar outro preço."

Enquanto a passagem dos 20 petroleiros por Ormuz pode aliviar temporariamente a pressão logística, a situação das rotas alternativas continua sendo um fator crítico para a estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional.

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