Irã exibe mísseis em desfile militar enquanto EUA enfrentam escassez de armamentos
Irã exibe mísseis em desfile; EUA têm estoques baixos

Conflito entre EUA e Irã reduz estoques de armas avançadas de ambos os países

A guerra entre Estados Unidos e Irã causou uma redução significativa nos estoques de armamentos considerados essenciais por ambos os países, conforme revela um levantamento do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) e informações de autoridades norte-americanas. Dados apontam que, apesar de ainda possuírem capacidade para continuar o conflito, as limitações são evidentes em ambos os lados.

Estados Unidos enfrentam vulnerabilidade estratégica

O estudo do CSIS, divulgado na terça-feira (21), analisou sete tipos de armas essenciais utilizadas na ofensiva contra o Irã. Entre elas estão os mísseis Tomahawk, de longo alcance e alta precisão, e sistemas de defesa antiaérea como o Patriot. Segundo o levantamento, os Estados Unidos podem ter utilizado mais da metade do estoque pré-guerra em quatro dos sete modelos analisados.

Os níveis de armazenamento antes do conflito já eram considerados baixos para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China. O estudo destaca que a reposição do armamento americano pode levar anos, limitando a resposta do país a possíveis novos conflitos.

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Estimativas detalhadas do estoque norte-americano

O CSIS apresentou uma tabela com dados específicos sobre as armas essenciais:

  • Tomahawk: Míssil de cruzeiro de longo alcance, custo de US$ 2,6 milhões, estoque pré-guerra de 3.100 unidades, aproximadamente 850 usadas contra o Irã (27%).
  • JASSM: Míssil de cruzeiro de longo alcance, custo de US$ 2,6 milhões, estoque de 4.400 unidades, cerca de 1.000 utilizadas (22%).
  • PrSM: Míssil balístico de curto alcance, custo de US$ 1,6 milhão, estoque de 90 unidades, entre 40 e 70 usadas (44,4% a 77,8%).
  • SM-3: Míssil de defesa antimíssil, custo de US$ 28,7 milhões, estoque de 410 unidades, entre 130 e 250 utilizadas (31,7% a 61%).
  • SM-6: Míssil de defesa antiaérea, custo de US$ 5,3 milhões, estoque de 1.160 unidades, entre 190 e 370 usadas (16,4% a 31,9%).
  • THAAD: Sistema de defesa antimíssil, custo de US$ 15,5 milhões, estoque de 360 unidades, entre 190 e 290 utilizadas (52,8% a 80,6%).
  • Patriot: Sistema de defesa antiaérea e antimíssil, custo de US$ 3,9 milhões, estoque de 2.330 unidades, entre 1.060 e 1.430 usadas (45,5% a 61,4%).

O relatório alerta que, mesmo com mísseis suficientes para sustentar a guerra atual, os Estados Unidos podem ficar em posição vulnerável em caso de novos conflitos. Aliados como a Ucrânia também podem ser afetados, pois dependem do fornecimento de armamento norte-americano.

Desafios logísticos e declarações oficiais

Antes mesmo do início da ofensiva, o nível dos estoques já preocupava autoridades de defesa norte-americanas. Poucos dias antes da guerra, o Washington Post revelou que o arsenal dos EUA estava em baixa devido ao apoio aos conflitos na Ucrânia e em Israel.

No início de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a escassez de armamentos de ponta, mas afirmou que o país tem estoques "praticamente ilimitados" de armas de médio e médio-alto alcance. "Guerras podem ser travadas 'para sempre' e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos", declarou.

O governo fechou acordos recentes com a indústria de defesa para ampliar a produção, mas, segundo o CSIS, a reposição é lenta. Algumas armas levam meses para ficar prontas, com poucas unidades entregues no curto prazo. Historicamente, o prazo de entrega era de cerca de 24 meses, mas, com a demanda superando a capacidade de produção, os prazos se estenderam para 36 meses ou mais, totalizando cerca de 52 meses para a produção completa de lotes.

Irã mantém arsenal parcialmente intacto

Enquanto isso, o Irã realizou um desfile militar em Teerã na terça-feira, exibindo mísseis balísticos nas ruas, incluindo o modelo Khorramshahr-4, um dos mais avançados do arsenal do país, com alcance estimado em cerca de 2.000 quilômetros.

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Uma reportagem da rede americana CBS News publicada na quarta-feira (22) apontou que o Irã pode ter mais capacidade militar do que os Estados Unidos admitem publicamente. Fontes do governo americano revelaram que o Irã ainda mantém metade do arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento intactos, com indícios de que parte das armas esteja escondida em cavernas ou bunkers.

Oficialmente, Trump afirma que os EUA "aniquilaram" a Marinha e a Força Aérea do Irã, enquanto o secretário de Guerra, Pete Hegseth, declarou que as Forças Armadas iranianas foram "dizimadas" e deixadas "ineficazes em combate por muitos anos". No entanto, as informações de inteligência contradizem essas afirmações.

Capacidade ofensiva limitada do Irã

Apesar de manter parte do arsenal, as forças iranianas mostram sinais de enfraquecimento. Dados obtidos pela NBC News indicam que o número de lançamentos de mísseis e drones iranianos caiu drasticamente em relação aos primeiros dias da guerra. No fim de março, os EUA sobrevoaram o Irã com bombardeiros B-52, sugerindo limitações na defesa aérea do país.

Um relatório do tenente-general da Marinha James Adams, chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, entregue a um comitê da Câmara dos Representantes, afirma que o Irã ainda tem capacidade de causar danos e continua representando um risco. "O Irã mantém milhares de mísseis e drones de ataque de uso único capazes de ameaçar forças dos Estados Unidos e de parceiros em toda a região", diz o documento.

Por outro lado, Adams destacou que as forças terrestres e aéreas iranianas possuem equipamentos ultrapassados e treinamento limitado. Isso, somado aos danos causados pelos ataques dos EUA e de Israel, as torna "quase certamente incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente superior".

Em resumo, o conflito entre Estados Unidos e Irã expôs vulnerabilidades logísticas e estratégicas em ambos os lados, com estoques de armas avançadas reduzidos e capacidades ofensivas limitadas, embora o Irã ainda mantenha parte de seu arsenal operacional.