MC Ryan SP planejava shows grandiosos e revelação de talentos antes de prisão por lavagem de dinheiro
MC Ryan SP planejava shows e talentos antes de prisão por lavagem

Operação da PF prende MC Ryan SP em esquema bilionário de lavagem de dinheiro

O funkeiro MC Ryan SP, um dos artistas mais ouvidos do Brasil no Spotify, foi preso pela Polícia Federal por integrar uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão. A operação, batizada de Narco Fluxo, cumpriu 33 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.

Planos artísticos interrompidos pela prisão

Antes da prisão, MC Ryan SP planejava mudanças significativas em sua carreira. Após ter shows cancelados devido a uma agressão contra sua companheira, o artista buscava se reerguer com um espetáculo repaginado para 2026. A ideia incluía um show com pelo menos uma hora de duração e uma estética grandiosa para os padrões do funk.

O cantor pretendia se apresentar em casas com capacidade para suportar um palco maior, levando pelo Brasil uma réplica da cabeça de um tubarão, animal que virou seu apelido. Ele chegou a realizar um "show teste" em Brasília, demonstrando entusiasmo com a possibilidade de replicar a apresentação em locais maiores.

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Investimentos na Bololô Records e novos talentos

Outro foco de Ryan era a revelação de novos talentos para sua produtora recém-criada, a Bololô Records. Após o sucesso de "Posso Até Não Te Dar Flores", que alavancou as carreiras de MC Meno K e DJ Japa NK, o funkeiro já mapeava novos nomes pelo país.

Uma das revelações da empresa é o MC Black da Penha, cantor carioca descoberto por Ryan nos bailes do Rio de Janeiro. O artista também investia em nomes já estabelecidos, como MC Luuky, que trabalhava em um novo álbum vinculado a um projeto audiovisual.

Esquema complexo de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal revelou que o esquema utilizava uma estrutura complexa com empresas, influenciadores digitais e operações financeiras sofisticadas para ocultar a origem de recursos ilícitos. Entre os presos estão também o cantor MC Poze do Rodo e os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias.

O delegado Marcelo Maceira explicou que o dinheiro teria origem em apostas em bets ilegais, rifas digitais clandestinas e tráfico internacional de drogas. O esquema começava com a captação de valores por plataformas não regulamentadas, seguida de pulverização em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.

Métodos de ocultação e uso de empresas

Para esconder a origem ilícita, o grupo utilizava técnicas como:

  • Fracionamento de transferências (smurfing)
  • Uso de criptomoedas
  • Movimentações entre empresas e contas de terceiros
  • Emprego de "laranjas" e transferência de bens para familiares

Um dos pontos centrais era o uso de empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para dar aparência legal ao dinheiro. Os valores ilícitos custeavam despesas da carreira artística dos investigados, incluindo cachês de shows.

Papel dos influenciadores e patrimônio milionário

Influenciadores e páginas de grande alcance nas redes sociais eram contratados para divulgar plataformas de apostas e rifas, contribuindo para a entrada de novos recursos e a legitimação das operações. "Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar atenção", afirmou Maceira.

Após as etapas de lavagem, os investigados acumularam patrimônios milionários através da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor, ostentados nas redes sociais. A PF apreendeu carros, valores em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos, armas e até um colar com imagem do narcotraficante Pablo Escobar.

Defesas dos artistas

A defesa de MC Ryan SP afirmou não ter acesso ao procedimento sigiloso, mas ressaltou "a absoluta integridade" do artista e "a lisura de todas as suas transações financeiras". Já a defesa de MC Poze do Rodo declarou desconhecer os autos ou teor do mandado de prisão, prometendo se manifestar na Justiça após acesso aos documentos.

As investigações continuam, e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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