Irã declara fim das negociações com EUA e denuncia ataques a infraestrutura essencial
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez uma declaração contundente ao PBS News, principal telejornal da rede pública americana PBS, afirmando que conversar ou negociar com os Estados Unidos não está mais na agenda do país. Araghchi classificou a guerra como um "fracasso" e destacou que os planos americanos e israelenses têm falhado sucessivamente.
Ataques indiscriminados e impacto no preço do petróleo
"O Plano A foi um fracasso, e agora eles estão tentando outros planos, mas todos eles também falharam", disse o ministro iraniano. Ele acrescentou que os EUA e Israel não tinham um objetivo claro em mente, o que resultou em "ataques indiscriminados contra áreas residenciais". Araghchi também vinculou os ataques à infraestrutura energética do Irã ao aumento dos preços do petróleo, afirmando: "Ao atacar a infraestrutura energética do Irã, eles fizeram com que os preços do petróleo disparassem".
O ministro expressou ceticismo sobre os objetivos das potências ocidentais: "Não vejo nenhum objetivo razoável que eles estejam seguindo. Eles não conseguiram atingir seus objetivos no início e agora, depois de 10 dias, acho que estão sem rumo".
Fim das negociações após 'experiência amarga'
Araghchi foi enfático ao descartar qualquer retomada de diálogo com os Estados Unidos, citando uma "experiência muito amarga" durante as rodadas anteriores de negociações nucleares. "Eles nos prometeram que não tinham nenhuma intenção de nos atacar e que queriam resolver a questão nuclear do Irã pacificamente e encontrar uma solução negociada", relembrou. "Mesmo assim, eles decidiram nos atacar."
O ministro concluiu: "Não creio que a questão de conversar com os americanos… volte a ser discutida".
Divergências sobre cessar-fogo e escalada militar
Nesta segunda-feira (9), as posições entre Donald Trump e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã se mostraram diametralmente opostas em relação ao fim da guerra. Enquanto o presidente americano afirmou que os conflitos acabariam "em breve", o Irã rebateu dizendo que isso será determinado por Teerã. Em resposta, Trump ameaçou atacar o Irã "vinte vezes mais forte" caso o país bloqueie o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
O governo iraniano descartou formalmente a possibilidade de um cessar-fogo no conflito com Israel e Estados Unidos. Em entrevista coletiva, o porta-voz Esmail Baghaei afirmou que "não faz sentido falar de nada além de defesa e retaliação contra os inimigos". Baghaei também acusou os EUA de estarem motivados pelo petróleo iraniano, alegando que Washington busca os recursos petrolíferos do país e tenta enfraquecê-lo e dividi-lo.
Intensificação dos lançamentos de mísseis e novos ataques
A imprensa estatal iraniana informou que a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária vai aumentar a intensidade e a frequência dos lançamentos de mísseis. O comandante Majid Mousavi declarou que, a partir de agora, nenhum míssil será lançado com ogivas de menos de uma tonelada, sinalizando uma escalada no poder de fogo.
Novos ataques foram registrados ao longo do dia. As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que o Irã lançou mísseis contra o território israelense e orientaram a população a buscar abrigo. Por outro lado, as IDF relataram que os militares israelenses atacaram seis bases aéreas iranianas e destruíram várias aeronaves da Guarda Revolucionária, evidenciando um ciclo de retaliações que aprofunda a crise na região.
