Irã ataca maior refinaria do Bahrein, que suspende exportações de petróleo; Trump minimiza crise
Um ataque do Irã provocou explosões e um incêndio nas instalações petrolíferas de Al Ma’ameer, principal refinaria do Bahrein, nesta segunda-feira, 9 de março de 2026. O incidente levou a estatal Bapco Energies a invocar a cláusula conhecida como “força maior” para limitar suas exportações e priorizar o atendimento do mercado interno.
Contexto do conflito e retaliações
O ataque ocorre em meio a uma ampla campanha retaliatória do Irã contra o território israelense e nações do Golfo que abrigam bases militares americanas. Esta ação é uma resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, iniciados em 28 de fevereiro. Embora o regime iraniano tenha negado que as monarquias do Golfo sejam seu alvo principal, autoridades árabes afirmaram à emissora americana NBC News que os ataques a instalações petrolíferas são propositais.
O objetivo seria aumentar os preços globais de energia para pressionar a Casa Branca e o governo israelense a interromperem o conflito. A Agência de Notícias do Bahrein informou que um ataque de drones iranianos causou um incêndio e “danos materiais” no complexo de Al-Ma’ameer, sem registrar vítimas. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram uma densa fumaça saindo da zona industrial.
Suspensão de exportações e impacto no mercado
Com a medida, o Bahrein se junta ao Catar e ao Kuwait na suspensão da venda de petróleo para o exterior. A QatarEnergy fez uma declaração semelhante na semana passada, após duas de suas instalações de gás natural liquefeito terem sido atingidas. O Kuwait também limitou exportações e reduziu a produção em seus campos e refinarias.
O ministro da Energia do Catar alertou que todos os exportadores do Golfo poderiam ser forçados a seguir o exemplo. Como resultado, o petróleo Brent, referência internacional, subiu para cerca de US$ 115 nesta segunda-feira, uma disparada de aproximadamente 60% desde o início do conflito, há dez dias.
Posicionamento de Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou minimizar a alta dos preços. Em suas redes sociais, ele escreveu que os valores a curto prazo “cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar”. Embora tenha prometido reduzir a inflação e os custos de energia durante a campanha eleitoral de 2024, Trump afirmou que a alta no petróleo era “um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz mundial”.
Ele descreveu esta como uma consequência “de curto prazo” da guerra contra o Irã, acrescentando em sua rede Truth Social: “SÓ OS TOLOS PENSARIAM DIFERENTE!”. Enquanto isso, um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou que a continuação dos ataques dos EUA e Israel poderia elevar ainda mais os preços, mencionando a possibilidade de o barril ultrapassar US$ 200.
Implicações regionais e globais
A refinaria de Al Ma’ameer tem capacidade de produção de até 380 mil barris por dia e serve como uma fonte crucial de combustível, inclusive para a Frota dos EUA no Golfo. A invocação da cláusula de “força maior” isenta as partes de responsabilidade quando o descumprimento de obrigações contratuais resulta de eventos fora de seu controle, como conflitos armados.
Este episódio destaca a vulnerabilidade das infraestruturas energéticas na região e o potencial de escalada das tensões para afetar a economia global. A interrupção no fornecimento de petróleo do Bahrein, somada às medidas de Catar e Kuwait, cria uma pressão significativa sobre os mercados internacionais, com reflexos imediatos nos preços e na segurança energética mundial.



