Irã ameaça atingir centros econômicos do Oriente Médio após bombardeios de EUA e Israel
Um comandante da Guarda Revolucionária do Irã emitiu uma grave advertência nesta terça-feira, 3 de março de 2026, afirmando que o país poderá atingir todos os centros econômicos do Oriente Médio caso Estados Unidos e Israel mantenham os bombardeios contra seu território. A declaração do general Ebrahim Jabari eleva significativamente a tensão no conflito e amplia os temores sobre os reflexos da crise no mercado global de energia.
Resposta proporcional e sem limites territoriais
Em pronunciamento divulgado por agências estatais iranianas, o general Jabari deixou claro que qualquer ataque a infraestruturas estratégicas do Irã será respondido de forma proporcional. "Se os adversários mirarem os principais centros iranianos, a reação de Teerã não ficará limitada ao seu território", afirmou o comandante, sinalizando uma escalada potencialmente perigosa do conflito.
A retórica agressiva ocorre após a ofensiva iniciada no fim de semana, quando bombardeios de Israel e Estados Unidos atingiram alvos estratégicos no Irã e resultaram na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, além de outros integrantes do alto escalão do regime. Desde então, Teerã tem deixado claro que sua resposta poderá atingir não apenas seus adversários diretos, mas também a estabilidade econômica de toda a região.
Estreito de Ormuz como ponto de pressão estratégica
O comandante também citou especificamente o Estreito de Ormuz, corredor marítimo crítico entre o Irã e Omã por onde passa aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo. Na terça-feira, Jabari já havia afirmado que qualquer navio que tentar ultrapassar o bloqueio imposto por Teerã será incendiado, aumentando ainda mais os riscos para o comércio global de energia.
Esta artéria estratégica, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, possui apenas 33 km de largura no seu ponto mais estreito, com faixa de navegação de apenas 3 km de largura em cada direção. Sua importância para o abastecimento global de petróleo torna qualquer interrupção uma ameaça significativa à economia mundial.
Risco de terceiro choque petrolífero
Para o economista Sylvain Bersinger, fundador do escritório Bersingéco, essa situação faz "surgir o risco de um terceiro choque petrolífero, depois dos de 1973 e 1979 e após o choque do gás de 2022". Em entrevista à agência de notícias AFP, Bersinger alertou que "o cenário de um barril de petróleo que suba até 110 dólares pode ser considerado um cenário crível" diante das atuais tensões.
Economistas do banco Natixis reforçaram essa preocupação, destacando que "qualquer interrupção duradoura" do tráfego no estreito de Ormuz "teria importantes implicações para os mercados, mas também para a dinâmica da inflação e a estabilidade econômica global".
Impacto imediato nos mercados financeiros
Os mercados financeiros já reagiram às ameaças iranianas, com as bolsas da Ásia e as praças europeias sendo as mais penalizadas. Investidores buscaram proteção e apostaram em valores de refúgio como o dólar e o ouro, resultando em:
- O dólar subindo 1% em relação a outras moedas
- O ouro ganhando 1%, sendo negociado a 5.298,90 dólares a onça
Esta movimentação reflete a crescente preocupação dos investidores com a possibilidade de uma escalada militar que possa desestabilizar ainda mais a já frágil situação geopolítica do Oriente Médio e seus impactos na economia global.
