Irã alerta estudantes sobre limites em protestos enquanto EUA ameaçam intervenção militar
Irã alerta estudantes sobre limites em protestos com ameaça dos EUA

Irã estabelece limites para protestos estudantis em meio a tensões com os Estados Unidos

O governo do Irã emitiu um alerta direto aos estudantes que retomaram as manifestações nesta semana, afirmando que existem "limites" claros que não podem ser ultrapassados. A declaração ocorre enquanto o país enfrenta a crescente ameaça de uma intervenção militar dos Estados Unidos, motivada tanto pela repressão aos protestos internos quanto pelo polêmico programa nuclear iraniano.

Início do semestre marcado por divisões

O novo semestre letivo começou no sábado, 21 de fevereiro de 2026, com cenas de polarização evidente nos campi universitários. Segundo relatos da imprensa local, houve manifestações simultâneas a favor e contra o governo, refletindo o clima de tensão que persiste no país.

A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, reconheceu o direito de manifestação, mas foi enfática ao estabelecer barreiras. "Eles têm, naturalmente, o direito de se manifestar", declarou. "Mas há limites que devemos proteger e não ultrapassar ou desviar, nem mesmo no auge da indignação". Entre esses limites, ela citou explicitamente "coisas sagradas", como a bandeira da república islâmica.

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Protestos radicais e repressão violenta

Vídeos amplamente divulgados nas redes sociais e verificados pela agência de notícias AFP mostram cenas chocantes de universitários em Teerã queimando a bandeira nacional adotada após a revolução de 1979. Entre os gritos de protesto, ecoavam palavras de ordem como "morte ao ditador", em clara referência ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.

Essas concentrações, que em alguns casos degeneraram em confrontos diretos entre opositores e partidários do regime, abalam um país ainda traumatizado pelas manifestações massivas das últimas semanas. Os protestos, que começaram no final de dezembro como reação à crise econômica agravada por sanções internacionais, rapidamente evoluíram para um movimento de contestação política mais amplo, enfrentando uma repressão violenta por parte das autoridades.

Denúncias de violações de direitos humanos

Em um relatório publicado nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a pesquisadora Bahar Saba, da Human Rights Watch, acusou as autoridades iranianas de continuarem "aterrorizando a população". "As prisões continuam e os detidos enfrentam tortura, confissões forçadas e execuções secretas, sumárias e arbitrárias", denunciou ela, pintando um quadro sombrio da situação dos direitos humanos no país.

Um morador de Teerã, em conversa com um jornalista da AFP, expressou ceticismo sobre a capacidade de os protestos se espalharem além dos principais centros universitários. A razão, segundo ele, é que "a maioria das pessoas continua aterrorizada pela brutalidade do regime", indicando um clima de medo que contém a expansão do movimento.

Ameaça militar americana se intensifica

No plano internacional, a tensão atinge níveis perigosos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente bombardear o Irã, numa escalada que segue a guerra de junho de 2025 desencadeada por Israel – conflito no qual Washington atacou instalações nucleares iranianas.

Recentemente, Trump ordenou a mobilização de um significativo dispositivo militar e naval na região, incluindo o envio do porta-aviões Abraham Lincoln ao Oriente Médio. Simultaneamente, o maior porta-aviões do mundo, o Gerald R. Ford, navega pelo Mediterrâneo, atualmente estacionado em uma base em Creta, na Grécia. A presença simultânea de dois porta-aviões de grande porte na mesma região é considerada uma movimentação incomum e altamente simbólica, aumentando a pressão sobre Teerã.

Negociações nucleares sob o relógio

Na última quinta-feira, 19 de fevereiro, Trump estabeleceu um prazo curto e dramático, dando entre dez a quinze dias para decidir se recorrerá à força militar contra o Irã. Embora tenha desmentido posteriormente relatos da imprensa sobre alertas internos contra uma intervenção de grande magnitude, a retórica belicista permanece.

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Nesse contexto de alta pressão, as negociações diplomáticas continuam. Está previsto um novo ciclo de diálogos em Genebra para quinta-feira, 26 de fevereiro, com mediação de Omã. Os Estados Unidos exigem um acordo robusto que impeça definitivamente o Irã de desenvolver armas nucleares – acusação persistentemente feita pelos ocidentais, mas negada por Teerã, que insiste em seu direito a um programa nuclear civil.

Irã promete resposta "feroz" e prepara defesas

O governo iraniano, por sua vez, não recua na sua postura. Alertou que responderá "ferozmente" a qualquer ataque americano, mesmo que limitado, e advertiu para o risco real de uma "escalada regional" catastrófica caso Washington opte pela ação militar.

Diante das ameaças concretas, a Guarda Revolucionária – o exército ideológico do Irã – já iniciou manobras militares defensivas nas costas do Golfo, demonstrando preparação para um possível conflito. O país se encontra, portanto, numa encruzilhada perigosa, com protestos internos sendo contidos à força e a espada da intervenção internacional pairando sobre sua soberania.