Guerra no Irã completa um mês sem trégua e com impactos globais no petróleo
Guerra no Irã completa um mês sem trégua e impacta petróleo

Guerra no Irã completa um mês sem perspectiva de cessar-fogo

A guerra no Irã atinge nesta semana a marca de um mês de conflito, sem qualquer sinal concreto de trégua no horizonte. O embate, que teve início em 28 de fevereiro com uma ampla ofensiva aérea lançada por Estados Unidos e Israel, continua a gerar repercussões profundas em toda a região do Oriente Médio e nos mercados globais de energia.

Ofensiva inicial e reações em cadeia

No dia 28 de fevereiro, forças americanas e israelenses desencadearam ataques aéreos massivos contra alvos estratégicos da República Islâmica do Irã. A resposta iraniana foi imediata e contundente, com bombardeios direcionados a Israel e a nações do Golfo que abrigam bases militares dos Estados Unidos, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait.

Desde o início das hostilidades, boa parte da liderança do regime iraniano foi eliminada, em um golpe devastador para a estrutura de poder do país. Entre as figuras de alto escalão mortas estão o guia supremo Ali Khamenei, substituído por seu filho Mojtaba Khamenei – que permanece sem aparecer publicamente – e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, além de diversos comandantes militares.

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Balanço trágico de vidas perdidas

O número total de mortos ainda é incerto, mas estimativas apontam para aproximadamente 2 mil vítimas no território iraniano. Um dos episódios mais chocantes ocorreu na cidade de Minab, próximo ao Estreito de Ormuz, onde um ataque atribuído aos Estados Unidos contra uma escola feminina resultou na morte de cerca de 160 crianças.

O Pentágono afirmou que o caso está sob investigação, porém imagens do local mostram que o colégio, situado ao lado de instalações da Guarda Revolucionária, foi atingido por um projétil semelhante a um míssil Tomahawk – armamento presente no arsenal americano. Segundo a agência de notícias oficial iraniana Irna, pelo menos 252 estudantes e professores perderam a vida no conflito até o momento.

Em Israel, o balanço é de aproximadamente 20 mortos, enquanto outros 25 óbitos foram registrados em países do Golfo. O conflito também se alastrou pelo Líbano, onde cerca de 1,2 mil pessoas morreram na ofensiva israelense contra o Hezbollah, grupo que entrou na guerra para vingar a morte de Ali Khamenei, seu aliado histórico.

Impactos econômicos e negociações frágeis

Uma das consequências mais imediatas da guerra foi a disparada nos preços das commodities energéticas nos mercados internacionais. O regime iraniano autorizou apenas a navegação de embarcações ligadas a países não hostis no Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento de petróleo e gás do Golfo Pérsico.

Essa represália fez o preço do petróleo ultrapassar a marca de US$ 110 por barril, atingindo o maior valor desde 2022. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou pela segunda vez – agora até 6 de abril – o ultimato de 48 horas para que o Irã liberasse totalmente a passagem de navios no estreito.

Trump relatou "conversas muito positivas" com o Irã para encerrar a guerra, informação que não foi confirmada pela República Islâmica. Teerã ironizou o magnata, afirmando que ele estava negociando "consigo mesmo". Paralelamente, o Paquistão disse estar mediando tratativas indiretas entre Washington e Teerã.

Exigências contraditórias e ceticismo

As negociações enfrentam obstáculos significativos devido às exigências de ambas as partes. Os Estados Unidos teriam demandado do Irã o desmantelamento de seu programa nuclear, limitações no programa de mísseis e a reabertura de Ormuz, entre outros pontos. Já o regime iraniano exige o fim das sanções contra o país, o fechamento das bases militares americanas no Oriente Médio e até indenizações pela guerra.

"O principal obstáculo para o fim do conflito reside no comportamento contraditório e nos pedidos irracionais da parte americana", declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Ele acrescentou que há um "ceticismo" na nação persa sobre as reais intenções de Washington, que deslocou milhares de fuzileiros navais para a região, prenunciando uma possível invasão por terra.

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Hostilidades cotidianas e expansão do conflito

Enquanto as negociações patinam, as trocas de hostilidades prosseguem diariamente. Neste sábado (28), as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram uma série de ataques contra Teerã, que reagiu disparando um míssil balístico no deserto de Negev.

O Irã também atacou uma base aérea americana na Arábia Saudita, deixando 12 militares dos EUA feridos, dois deles em estado grave. Além disso, os houthis, grupo financiado pelo Irã e que controla parte do Iêmen, reivindicaram o primeiro ataque contra Israel desde o início do conflito, afirmando ter lançado mísseis contra alvos militares israelenses – todos interceptados.

Com um mês de duração e sem perspectivas de resolução imediata, a guerra no Irã continua a moldar não apenas o destino do Oriente Médio, mas também a economia global, em um conflito cujas ramificações parecem se aprofundar a cada dia.