Investigação preliminar dos EUA confirma responsabilidade em ataque a escola no Irã
EUA responsáveis por ataque a escola no Irã, diz investigação

Investigação preliminar reforça culpa dos EUA em ataque a escola no Irã

Uma investigação militar em curso concluiu que os Estados Unidos são responsáveis por um ataque aéreo contra uma escola primária no Irã, segundo autoridades americanas e outras pessoas familiarizadas com as conclusões preliminares, de acordo com reportagem publicada pelo jornal The New York Times nesta quarta-feira, 11 de março de 2026.

Ao menos 175 pessoas morreram no episódio, muitas delas crianças, segundo autoridades locais. O ataque ocorreu em 28 de fevereiro contra o prédio da escola primária Shajarah Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do Irã.

Erro de direcionamento com dados desatualizados

Segundo a investigação, o ataque teria sido resultado de um erro de direcionamento por parte das Forças Armadas americanas, que realizavam operações contra uma base iraniana adjacente. Oficiais do Comando Central dos EUA criaram as coordenadas do alvo usando dados desatualizados fornecidos pela Agência de Inteligência de Defesa.

"As autoridades enfatizaram que as conclusões são preliminares e que existem questões importantes sem resposta sobre o motivo pelo qual as informações desatualizadas não foram verificadas novamente", destacou o jornal americano.

Múltiplas investigações chegam à mesma conclusão

A análise militar se soma a outras investigações independentes que chegaram à mesma conclusão. Um conjunto de evidências reunido pelo The New York Times — incluindo imagens de satélite recentemente divulgadas, publicações em redes sociais e vídeos verificados — e uma investigação da agência de notícias Reuters também indicam que o ataque partiu das Forças Armadas americanas.

Imagens de satélite da empresa Planet Labs, encomendadas pelo NYT, confirmaram a cronologia dos eventos: elas mostram que múltiplos ataques de precisão atingiram pelo menos seis prédios da Guarda Revolucionária, além da escola. Quatro prédios dentro da base naval foram completamente destruídos e outros dois apresentaram marcas de impacto no centro de seus telhados.

Contexto geográfico e especialistas

De acordo com a Reuters, as forças israelenses e americanas dividiram seus ataques ao Irã por geografia e tipo de alvo. Enquanto Israel manteve foco em locais de lançamento de mísseis no oeste iraniano, os Estados Unidos ficaram responsáveis por visar alvos semelhantes, bem como o aparato naval dos aiatolás, mas no sul do país — onde a escola fica.

N.R. Jenzen-Jones, diretor da Armament Research Services, analisou imagens de satélite da região de Minab e afirmou que "as imagens sugerem que a escola e o complexo adjacente da Guarda Revolucionária Islâmica foram atingidos por múltiplos ataques simultâneos ou quase simultâneos com munições explosivas, provavelmente do tipo lançadas por via aérea".

Repercussão internacional e funeral

O escritório de Direitos Humanos da ONU pediu na semana passada uma investigação independente sobre o ataque. "A responsabilidade de investigar o ataque recai sobre as forças que o realizaram", disse a porta-voz do órgão, Ravina Shamdasani, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Imagens do funeral para as crianças de Minab foram exibidas pela televisão estatal iraniana e circularam o mundo todo. Seus pequenos caixões foram cobertos com bandeiras nacionais e transportados por um caminhão entre a enorme multidão que se reuniu na cidade do sul para prestar homenagem às vítimas.

Crime de guerra e precedente histórico

Ataques deliberados a escolas, hospitais ou quaisquer estruturas civis são considerados um crime de guerra, de acordo com o direito internacional. Se o envolvimento dos Estados Unidos for confirmado, este seria um dos piores casos de vítimas civis ao longo de todas as décadas de envolvimento americano em conflitos no Oriente Médio.

O prédio da escola fica ao lado de um complexo operado pela Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico subordinado ao líder supremo do Irã. O NYT indicou que o edifício cheio de estudantes — a semana letiva começa no sábado no país — foi atingido em meio a ataques simultâneos a uma base naval próxima, operada pela guarda.