EUA avaliam operação terrestre arriscada para apreender urânio iraniano
O governo dos Estados Unidos está considerando uma operação militar de alto risco que envolveria o envio de tropas terrestres para apreender o estoque de urânio enriquecido do Irã, armazenado principalmente na cidade de Isfahan. Essa ação, descrita por especialistas como uma das operações especiais mais complexas da história, tem como objetivo impedir que o regime iraniano desenvolva armas nucleares.
Desafios logísticos e localização do material
Segundo informações de autoridades americanas e especialistas militares entrevistados pela BBC, o Irã possui aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%, material que pode ser rapidamente convertido para uso em armas nucleares. A maior parte desse estoque estaria em Isfahan, uma das três instalações nucleares subterrâneas do país que foram alvo de ataques aéreos dos EUA e de Israel no ano passado.
Jason Campbell, ex-alto funcionário da defesa americana, destacou que o sucesso da operação dependeria crucialmente do conhecimento exato da localização do urânio. "Se ele foi disperso em quatro locais diferentes, então estamos falando de um nível totalmente diferente de complexidade", afirmou Campbell.
Obstáculos operacionais e defesas iranianas
As entradas dos complexos de túneis em Isfahan parecem ter sido seladas com terra, conforme mostram imagens de satélite de fevereiro, o que tornaria qualquer operação de recuperação ainda mais difícil. Além disso, as forças americanas enfrentariam a ameaça constante de ataques iranianos enquanto tentariam escavar os escombros para localizar o material radioativo.
Alex Plitsas, ex-funcionário da Defesa dos EUA, alertou que as tropas terrestres americanas ficariam isoladas em Isfahan, localizada a cerca de 482 km dentro do território iraniano, tornando-as vulneráveis a ataques antiaéreos e dificultando evacuações médicas.
Estratégia militar e possíveis cenários
A operação provavelmente envolveria o uso da 82ª Divisão Aerotransportada, que foi mobilizada para o Oriente Médio, para proteger áreas ao redor de Isfahan e Natanz. Forças de operações especiais treinadas para lidar com material nuclear seriam então enviadas para recuperar o urânio enriquecido, que está armazenado em forma gasosa em grandes recipientes metálicos.
Uma vez assegurado, os EUA enfrentariam a decisão de retirar o material do país ou diluí-lo no local. Jonathan Ruhe, especialista no programa nuclear iraniano, afirmou que apreender e retirar o urânio seria mais rápido, mas destacou os riscos: "Você tem basicamente meia tonelada do que é, na prática, urânio em nível de armamento que precisa ser retirado. E há 1 milhão de coisas que podem dar errado".
Contexto político e declarações de Trump
O presidente americano, Donald Trump, se recusou a confirmar se seria possível declarar vitória na guerra sem remover ou destruir o urânio enriquecido do Irã. Em declarações à CBS News, Trump minimizou a importância do estoque, citando os danos causados por ataques anteriores, mas afirmou que "vamos tomar uma decisão".
O governo americano também pode estar usando a ameaça de novas operações militares para forçar o Irã a voltar à mesa de negociações. Outras opções em consideração incluem assumir o controle da ilha de Kharg para pressionar a reabertura do Estreito de Ormuz, vital para o transporte global de petróleo.



