EUA defendem uso de força militar para derrotar cartéis de drogas, diz assessor de Trump
O assessor de segurança interna da Casa Branca, Stephen Miller, afirmou durante uma reunião com líderes militares latino-americanos nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, que os cartéis de drogas somente podem ser derrotados através do emprego de força militar. As declarações explicitam uma significativa mudança na política externa dos Estados Unidos sob o comando do presidente Donald Trump.
Mudança de estratégia na política antidrogas
Miller discursou para líderes de defesa reunidos na sede do Comando Sul dos EUA, durante a conferência inaugural Americas Counter Cartel Conference. "Aprendemos, após décadas de esforços, que não existe uma solução de justiça criminal para o problema dos cartéis", declarou o assessor. "A razão pela qual esta é uma conferência com liderança militar e não uma conferência de advogados é porque essas organizações só podem ser derrotadas com poder militar."
Esta postura representa uma guinada na abordagem tradicional, que frequentemente priorizava ações judiciais e policiais. O governo Trump tem adotado medidas agressivas, como a explosão de barcos suspeitos de tráfico, a prisão do presidente da Venezuela em janeiro e o apoio ao México na captura de um chefe de cartel no mês passado.
Questionamentos legais e reações internacionais
Especialistas jurídicos e políticos democratas têm questionado a legalidade desta estratégia, que equipara traficantes de drogas a membros de organizações terroristas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico. A nova política já causou atritos com alguns parceiros tradicionais dos EUA na América Latina. A Colômbia, por exemplo, optou por não enviar uma delegação ao encontro, demonstrando descontentamento com a abordagem militarizada.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, expressou o desejo de que a conferência focasse em operações concretas, visando uma cooperação mais estreita no combate aos cartéis. Ryan Berg, diretor do Programa das Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, destacou que o objetivo era reunir governos alinhados com Washington para estruturar novas formas de cooperação regional.
Exemplo do Equador e preparativos para cúpula
Berg citou o anúncio recente de que forças militares dos EUA estão auxiliando o Equador no combate ao tráfico de drogas como um modelo a ser seguido. "O exemplo muito recente do Equador servirá de modelo para outros países da conferência", afirmou.
A conferência também serve como preparação para uma cúpula das Américas organizada por Trump em Miami neste fim de semana. Espera-se que os Estados Unidos aproveitem o evento para promover uma agenda contra a influência chinesa na região, ampliando o escopo geopolítico das discussões iniciadas sobre segurança e narcotráfico.
Esta reorientação estratégica, enfatizando o componente militar, sinaliza um capítulo mais assertivo e controverso na política antidrogas dos Estados Unidos, com potenciais repercussões duradouras nas relações com os países latino-americanos.



