EUA e Irã retomam negociações em Genebra sob tensão e ameaças de confronto militar
EUA e Irã retomam negociações em Genebra com tensão militar

Diplomacia sob pressão: EUA e Irã iniciam nova rodada de negociações em meio a ameaças bélicas

Os Estados Unidos confirmaram a realização de uma nova negociação com o Irã nesta semana em Genebra, na Suíça, em um contexto de extrema tensão diplomática e militar. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou nesta terça-feira que um acordo com os americanos é possível, mas apenas se a diplomacia for priorizada. A declaração ocorre dois dias antes da terceira rodada de conversas entre os países, marcada para quinta-feira na cidade suíça.

"O Irã retomará as negociações com os EUA em Genebra com a determinação de alcançar um acordo justo e equitativo no menor tempo possível", declarou Araqchi em uma publicação na rede social X. O tom otimista, porém, contrasta com as recentes advertências iranianas sobre possíveis confrontos militares.

Advertência de resposta feroz e movimentações navais

Na segunda-feira, o Irã emitiu um alerta contundente: qualquer ataque dos Estados Unidos, mesmo que limitado, provocaria uma resposta "feroz". A advertência veio após o ex-presidente Donald Trump ter levantado publicamente a possibilidade de uma ação militar contra Teerã caso as negociações fracassem.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, foi enfático durante coletiva de imprensa em Teerã: "Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final". Ele acrescentou que qualquer Estado reagiria ferozmente a um ato de agressão em virtude de seu direito inerente à legítima defesa.

Enquanto isso, os Estados Unidos mantêm pressão sobre o Irã para um acordo que inclua o tema nuclear, tendo enviado um amplo destacamento naval e aéreo ao Oriente Médio, sem, no entanto, fechar completamente a via diplomática.

Risco de escalada regional e posicionamento internacional

Em Genebra, o vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi alertou para o risco de uma "escalada" regional e conclamou todos os países comprometidos com a paz e a justiça a tomarem medidas significativas para evitá-la. O embaixador chinês na ONU em Genebra, Shen Jian, reforçou o apelo, urgindo que "se evite empurrar a questão nuclear iraniana para a confrontação".

Por precaução, os Estados Unidos ordenaram a evacuação de pessoal não essencial de sua embaixada em Beirute, enquanto o movimento libanês pró-Irã Hezbollah anunciou que não permaneceria neutro caso Washington atacasse o país persa.

Declarações contraditórias e clima de vigilância

Nesta segunda-feira, Donald Trump desmentiu informações da imprensa que sugeriam que o chefe do Estado-Maior americano, general Dan Caine, teria alertado contra uma intervenção militar em larga escala no Irã. Em sua rede Truth Social, o ex-presidente afirmou que Caine "preferiria não ver uma guerra, mas, se for tomada a decisão de intervir militarmente contra o Irã, acredita que seria fácil vencer".

Neste clima de tensão, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que Israel se mantém "vigilante e preparado para qualquer cenário". Na última quinta-feira, Trump havia dito que esperaria de "dez a quinze dias" para decidir sobre o eventual uso da força contra Teerã.

Detalhes das negociações e histórico recente

A terceira rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã ocorrerá na quinta-feira em Genebra, com conversas indiretas sob mediação de Omã, conforme confirmado pelos três países. Abbas Araqchi afirmou no domingo que existem "boas possibilidades de alcançar uma solução diplomática em que todos saiam ganhando" e que espera entregar em breve uma primeira versão do texto à equipe americana.

As conversas anteriores entre ambos os países foram interrompidas em junho de 2025 pela guerra desencadeada por Israel contra o Irã, na qual Washington interveio bombardeando instalações nucleares da República Islâmica. Trump assegurou na época que havia "aniquilado" o programa nuclear iraniano nesses bombardeios, embora o alcance exato dos danos continue sendo desconhecido.

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Os países ocidentais temem que Teerã busque desenvolver armamento nuclear, enquanto o Irã insiste em que apenas deseja desenvolver um programa nuclear civil. Esta divergência fundamental permanece no centro das negociações.

Contexto interno iraniano e protestos recentes

A tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a crescer em consequência da violenta repressão, em janeiro, contra um amplo movimento de protesto antigovernamental no Irã, o que levou Trump a prometer "ajudar" o povo iraniano. Nos últimos dias, foram organizados vários protestos contra o poder em algumas cidades iranianas.

Nesta segunda-feira, vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela AFP mostravam grupos de estudantes em uma universidade de Teerã queimando a bandeira da República Islâmica, adotada após a Revolução de 1979 que derrubou a monarquia. Estas manifestações internas adicionam outra camada de complexidade ao já delicado processo diplomático entre as duas nações.