Acordo de trégua entre EUA e Irã inclui todas as frentes de batalha
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou nesta quarta-feira um acordo histórico entre Estados Unidos e Irã para um cessar-fogo imediato em todas as frentes de batalha, incluindo o território libanês. O mediador do conflito declarou publicamente nas redes sociais que ambas as nações, juntamente com seus aliados, concordaram com a suspensão imediata das hostilidades.
"Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato", afirmou Sharif em comunicado oficial.
Validade de duas semanas e abertura do Estreito de Ormuz
Segundo informações confirmadas pelo presidente norte-americano Donald Trump e pelo chanceler iraniano Abbas Araqchi, o acordo de não agressão terá validade de quatorze dias. Durante este período, o estratégico Estreito de Ormuz permanecerá aberto para navegação, garantindo o fluxo comercial na região.
O Líbano tem sido alvo constante de ataques israelenses desde o início do conflito em 28 de fevereiro. Israel justifica suas ações como resposta aos ataques do grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã que opera no território libanês. As forças israelenses invadiram o sul do Líbano alegando proteção territorial, tomando controle militar até o rio Litani.
Os bombardeios também atingiram a capital Beirute e o Vale do Beqaa, no leste do país. Segundo dados do governo libanês, mais de 1.500 pessoas morreram em ataques israelenses desde o início do conflito, com outras 4.800 feridas.
Objetivos militares cumpridos e negociações avançadas
O presidente Trump afirmou que todos os objetivos militares dos Estados Unidos no Irã já foram alcançados e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão em estágio avançado. Segundo o mandatário norte-americano, os EUA receberam uma proposta de plano de paz do Irã com dez pontos, considerada uma base viável para negociação.
"Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído", declarou Trump, acrescentando que quase todos os pontos de divergência históricos entre os dois países já foram resolvidos.
Autoridades da Casa Branca confirmaram que Israel também participará da trégua, enquanto a mídia israelense relatou que o cessar-fogo inclui especificamente o território libanês. O Paquistão confirmou que as conversas entre negociadores de EUA e Irã começarão na próxima sexta-feira, em Islamabad.
Confirmação iraniana e termos do acordo
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou oficialmente o acordo bilateral. Segundo o chanceler, Teerã suspenderá ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos. Araghchi também garantiu a passagem segura pelo Estreito de Ormuz durante a trégua, mediante coordenação com as Forças Armadas iranianas.
A TV estatal do Irã classificou o acordo como um "recuo humilhante de Trump" e afirmou que os Estados Unidos aceitaram os termos propostos por Teerã. No entanto, a mídia iraniana ressaltou que a trégua não representa o fim definitivo da guerra.
Os dez pontos apresentados pelo Irã aos Estados Unidos incluem:
- Compromisso de não agressão
- Manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz
- Aceitação do enriquecimento de urânio pelo Irã
- Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã
- Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã
- Revogação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU
- Revogação de resoluções do Conselho de Governadores da AIEA
- Pagamento de indenização ao Irã
- Retirada das forças de combate dos EUA da região
- Cessação da guerra em todas as frentes, incluindo Líbano
Contexto de tensões e ataques recentes
As ameaças de Trump elevaram significativamente as tensões na comunidade internacional, gerando alertas sobre possíveis crimes de guerra caso os Estados Unidos atacassem alvos civis iranianos. O impasse aumentou os temores de uma escalada no conflito com impactos globais potencialmente devastadores.
Um eventual ataque norte-americano a usinas iranianas poderia interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas, provocando colapso elétrico e econômico no país. Existiam também preocupações sobre possíveis acidentes radiológicos graves caso instalações nucleares fossem atingidas.
Horas antes do prazo dado por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a estratégica ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo produzido no Irã, enquanto Israel afirmou ter realizado "amplos ataques" no território iraniano, atingindo infraestruturas críticas como pontes, ferrovias e aeroportos.
O Irã reagiu convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e anunciando o fim da fase de "boa vizinhança" com países do Golfo, com ataques sendo lançados contra Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.



