EUA ameaçam intensificar guerra contra o Irã após morte de Ali Khamenei
Os Estados Unidos ameaçaram intensificar a guerra contra o Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei no último sábado, em um ataque coordenado entre forças norte-americanas e israelenses. O incidente ocorreu em território iraniano e desencadeou uma crise política sem precedentes no país, que agora enfrenta o desafio histórico de escolher um novo líder supremo após mais de três décadas sob o comando de Khamenei.
Assembleia dos Peritos assume papel crucial na sucessão
A Assembleia dos Peritos, composta por 88 clérigos islâmicos, trabalha intensamente para escolher o sucessor ao posto de líder supremo, que concentra o poder político e religioso em Teerã. Esta é a primeira vez em 36 anos que o órgão precisa deliberar sobre essa eleição, desde a morte de Ruhollah Khomeini em 1989. No Irã, onde o poder político é indissociável da religião conforme a corrente xiita do Islã, todos os principais candidatos são figuras religiosas, a maioria com o título de aiatolá.
Quatro clérigos emergem como principais candidatos
No momento, quatro clérigos estão entre os mais cotados para assumir o cargo mais alto do país, cada um representando diferentes correntes dentro do establishment clerical iraniano.
Aiatolá Mojtaba Khamenei: o herdeiro direto
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é o segundo filho de Ali Khamenei e o nome mais cotado para ascender ao cargo. O clérigo perdeu não apenas o pai nos bombardeios do dia 28, mas também a mãe, a esposa e um filho pequeno, segundo informações da imprensa iraniana. Apesar de ostentar o título de aiatolá, Mojtaba é considerado um clérigo de nível intermediário, mas é uma das figuras mais influentes do establishment clerical. Conhecido por sua postura linha-dura e laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária, ele é há anos considerado um dos principais candidatos a suceder o pai. No entanto, pesa contra ele o fato de ser filho do antecessor, pois a passagem de poder de pai para filho não é bem vista dentro da corrente xiita do Islã.
Aiatolá Alireza Arafi: o líder interino
Líder supremo interino do país, o aiatolá Arafi tem 67 anos e vem de uma família de clérigos. Quando a revolução iraniana aconteceu em 1979, Arafi tinha apenas 21 anos e não fez parte da "primeira geração de revolucionários". Seu nome ganhou maior notoriedade após a ascensão de Ali Khamenei em 1989. Ao longo da carreira, conquistou o título de mujtahid, sendo considerado um estudioso islâmico altamente qualificado com autoridade para interpretar a lei islâmica (Sharia). Suas áreas de especialização incluem jurisprudência islâmica e filosofia, sendo fluente em árabe e inglês. Também é considerado especialista em tecnologia e, em 2016, foi nomeado chefe de todos os seminários religiosos do país. Em maio de 2022, encontrou-se com o Papa Francisco no Vaticano, onde transmitiu uma mensagem de Ali Khamenei, recebendo elogios pelos esforços de aproximação entre Islã e Cristianismo.
Aiatolá Mohammad-Mahdi Mirbagheri: a voz ultraconservadora
De acordo com a rede de TV Al Jazeera, Mirbagheri representa uma voz clerical ultraconservadora dentro do establishment e da Assembleia de Peritos. O aiatolá é amplamente conhecido por sua visão de mundo crítica ao Ocidente e atualmente dirige a Academia de Ciências Islâmicas na cidade de Qom, no norte do país.
Hassan Khomeini: o moderado simbólico
O único dos candidatos que não ostenta o título de aiatolá, Hassan Khomeini é o mais proeminente dos 15 netos de Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Islâmica de 1979. Com 53 anos, é visto como um moderado dentro do clero iraniano, mantendo laços estreitos com reformistas como os ex-presidentes Mohammed Khatami e Hassan Rouhani, que adotaram políticas de aproximação com o Ocidente. Ele ocupa um papel simbolicamente importante como guardião do mausoléu de seu avô no sul de Teerã, embora nunca tenha feito parte do governo. Alguns políticos iranianos o consideram um rival dos linha-dura que ganharam influência sob o governo de Khamenei, principalmente Mojtaba Khamenei. A defesa de um sucessor moderado ganhou força após os distúrbios que varreram o Irã em janeiro, como forma de fortalecer a República Islâmica diante da crescente dissidência.
Contexto internacional tenso
Enquanto a Assembleia dos Peritos trabalha na escolha do novo líder, as ameaças dos Estados Unidos de intensificar a guerra contra o Irã criam um cenário de extrema tensão internacional. O ataque que resultou na morte de Ali Khamenei representa uma escalada significativa no conflito entre os países, com implicações geopolíticas que podem se estender por toda a região do Oriente Médio. A escolha do próximo líder supremo iraniano ocorrerá sob pressão militar externa e divisões internas, definindo o futuro das relações do Irã com o mundo ocidental e o equilíbrio de poder na região.



