Conflito entre EUA, Israel e Irã intensifica com nova fase de ataques aéreos
A campanha militar conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada após o ataque que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei no último sábado (28), entrou em uma nova e mais violenta etapa, conforme anunciado por autoridades dos dois países aliados nesta sexta-feira (6).
Declarações oficiais sinalizam escalada
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Eyal Zamir, afirmou que o "golpe de abertura" já foi dado e que as forças estão se movendo para a próxima fase. "Vamos intensificar os ataques à fundação do regime e às suas capacidades militares. Nós temos jogadas adicionais em nossas mãos", declarou Zamir.
Na manhã desta sexta-feira, Israel reportou que cinquenta de seus caças destruíram o que restava do bunker de Khamenei, ainda utilizado por autoridades iranianas, lançando aproximadamente cem bombas no local.
Mudança estratégica no poder de fogo
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, já havia antecipado na noite de quinta-feira (5) que "o poder de fogo sobre o Irã e Teerã está prestes a aumentar dramaticamente". O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior das forças dos EUA, exemplificou essa mudança estratégica: "Este é um ponto de transição no uso de munições, daquelas de longa distância para as de ataque direto. Isso permitirá ataques significativamente mais precisos".
O emprego de munições de ataque direto, como mísseis Hellfire ou bombas convencionais convertidas em "inteligentes" através de kits com GPS, pressupõe um maior controle do espaço aéreo. Embora EUA e Israel afirmem superioridade aérea, essa vantagem é relativa. Até o momento, os países alegam não ter perdido nenhum avião de combate tripulado, mas evidências de redes sociais indicam que alguns drones israelenses foram derrubados sobre o Irã.
Objetivos nebulosos e expansão do conflito
Hegseth insistiu que a nova fase não implica uma ampliação do escopo do conflito, afirmando: "Não há uma expansão nos nossos objetivos. Nós sabemos exatamente o que estamos tentando alcançar". No entanto, essa declaração contrasta com as frequentes mudanças de foco do presidente Donald Trump, que na quarta-feira (4) considerou o emprego de forças terrestres, apenas para descartar a ideia no dia seguinte, classificando-a como "perda de tempo".
Inicialmente, a guerra tinha o caráter de mudança radical de regime, com a decapitação da cadeia de comando iraniana. Como isso não ocorreu, tanto Trump quanto o premiê israelense Binyamin Netanyahu transferiram a responsabilidade para manifestantes reprimidos pela teocracia em janeiro. Sem sucesso nessa abordagem, o foco variou para objetivos militares mais concretos: a destruição do programa nuclear iraniano, a supressão de suas capacidades de lançamento de mísseis balísticos e a obliteração da Marinha e da Força Aérea.
Riscos de espraiamento e contexto político
Ao mesmo tempo, a ideia de instalar um novo governo simpático aos EUA permanece no discurso oficial, com Trump incentivando cerca de 40% de iranianos não persas a se revoltarem, inclusive armando rebeldes curdos baseados no Iraque. Esse fomento a uma guerra civil e a expansão do conflito, que na quinta-feira viu drones explodindo no Azerbaijão e cinco marinhas europeias enviando navios para proteger a região de Chipre, aumentam as incertezas sobre o futuro imediato do confronto.
Apenas um terço dos americanos aprova a guerra, e a aceleração das ações militares pode estar ligada à busca de uma saída rápida para Trump, que precisa de uma vitória para fortalecer sua posição nas eleições congressuais de novembro. Israel, por outro lado, parece ter menos pressa, aproveitando a oportunidade para um acerto de contas final com o regime que historicamente ameaçou o Estado judeu.
Ações paralelas e reações iranianas
O país também intensificou nesta sexta-feira os ataques a posições do grupo Hezbollah, aliado do Irã, no Líbano. Na quinta-feira, os israelenses alertaram moradores do sul da capital libanesa, reduto xiita, a deixarem suas casas, gerando pânico e confusão. Na direção oposta, o Irã manteve ataques com mísseis e drones contra Israel e países aliados dos EUA no golfo Pérsico, embora a intensidade dessas ações contra o Estado judeu esteja em declínio.
