Casa Branca mantém otimismo em negociações com Irã, apesar de bloqueio no estreito de Hormuz
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira (15) que as conversas entre Estados Unidos e Irã estão em andamento e que o governo de Donald Trump está otimista com a possibilidade de um acordo para o fim do conflito. "Continuamos muito engajados nessas conversas, vocês ouviram do vice-presidente [J. D. Vance] e do presidente [Trump] nesta semana que essas conversas estão sendo produtivas e estão em andamento", declarou Leavitt durante entrevista coletiva na Casa Branca.
Negociações e mediação
A porta-voz negou relatos na imprensa americana de que Washington pediu uma extensão do cessar-fogo e confirmou que as duas partes discutem uma nova rodada presencial de negociações, indicando que provavelmente isso ocorreria novamente em Islamabad, capital do Paquistão. Leavitt reforçou que o país é o único mediador no processo, embora a primeira rodada de conversas presenciais, liderada por J. D. Vance, tenha terminado em fracasso no sábado (11), em Islamabad, com indícios de que nenhuma das partes fez concessões substanciais em suas demandas.
Bloqueio no estreito de Hormuz
Enquanto isso, Washington e Teerã seguem com seus bloqueios no estreito de Hormuz, uma via marítima crucial para o transporte de petróleo. Relatos conflitantes das duas partes dificultam a compreensão de como de fato as forças têm operado na região. Leavitt afirmou que as forças dos EUA na região estão "apoiando a liberdade de navegação de embarcações transitando no estreito com origem e destino em portos não iranianos", sem contudo explicar se isso significa que os militares americanos estão dispostos a enfrentar o bloqueio imposto pelo Irã.
Incidentes marítimos e sanções
A agência de notícias iraniana Fars afirmou que um petroleiro conseguiu furar o obstáculo americano e chegou ao país para ser carregado, mas não há confirmação disso em sites de monitoramento de navios, que podem ser driblados se o sistema de identificação da embarcação for desligado. Já um navio chinês, o Rich Starry, que havia transitado por Hormuz no dia de início do bloqueio americano, voltou pelo estreito e está agora ancorado perto do Irã. A embarcação, sob sanções americanas por já ter transportado derivados de petróleo do Irã, transporta carga de metanol dos Emirados Árabes Unidos, em tese fora do escopo do bloqueio dos EUA.
Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que também participou da entrevista coletiva, os EUA pretendem aplicar sanções a países que continuam comprando petróleo iraniano. Ele disse ainda que Washington não vai renovar as licenças dadas a petróleo russo e iraniano, afirmando que "isso era petróleo que estava já na água [sendo transportado] antes de 11 de março. Já foi todo usado".
Posição da China
A China, um dos principais compradores de petróleo iraniano, tem se posicionado contra o conflito. O líder chinês, Xi Jinping, usou termos duros nesta semana contra as hostilidades, e a chancelaria chinesa chamou as restrições no Golfo de irresponsáveis e perigosas. Em 2025, o Irã foi o terceiro maior fornecedor de petróleo de Pequim, destacando a importância econômica das relações entre os dois países.



