Brasileiros em Doha relatam estrondos e fachos de luz durante conflito no Oriente Médio
Brasileiros em Doha relatam estrondos e luzes durante conflito

Brasileiros em Doha enfrentam tensão com estrondos e alertas durante conflito no Oriente Médio

A médica brasileira Patrícia D'Antônio Figueiredo, de 56 anos, tem vivido dias de apreensão e incerteza em Doha, capital do Catar, desde que os ataques no Oriente Médio se intensificaram na última semana. Junto com o marido, também médico, ela relata uma rotina marcada por estrondos altíssimos, alertas por SMS e a visão de fachos de luz no céu noturno, elementos que transformaram completamente o cotidiano do casal que reside no país há um ano e meio.

Momento de medo e surpresa com os primeiros estrondos

Em entrevista exclusiva à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, Patrícia descreveu com detalhes o dia em que os ataques começaram, no sábado, 28 de outubro. "Foi um dia de muita tensão, muito medo. Porque é tudo muito novo para a gente, né? De repente, nós começamos a ouvir uns estrondos, a gente olhava para o céu e via fumaça, sem saber o que estava acontecendo, não fomos avisados anteriormente", contou a profissional, que anteriormente trabalhava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santos, no litoral paulista.

O casal migrou para o Catar após o marido receber uma oportunidade de emprego na área médica, buscando novas experiências profissionais em solo estrangeiro. No entanto, a escalada do conflito pegou todos de surpresa, incluindo a comunidade brasileira local.

Alertas por SMS e janelas tremendo com interceptações

Após os primeiros estrondos, Patrícia e o marido começaram a receber mensagens de alerta via SMS, orientando que permanecessem em casa e se mantivessem em segurança. "Desde então, a gente vêm vivendo momentos de ansiedade, angústia, porque não sabemos o que está por vir. Na hora que os mísseis e drones são interceptados, a gente ouve um estrondo muito grande que treme a janela aqui do meu apartamento. É bem assustador", revelou a médica.

Um colega do casal, que integra um grupo de amigos brasileiros em Doha, conseguiu registrar em vídeo alguns dos momentos mais críticos, mostrando projéteis e luzes intensas no céu, acompanhados pelos estrondos descritos por Patrícia. As imagens reforçam a atmosfera de tensão que domina a região.

Incerteza e falta de informações sobre segurança

A orientação oficial no Catar tem sido clara: os moradores devem se manter em casa, longe das janelas, especialmente durante os alertas de interceptação de mísseis e drones. No entanto, Patrícia expressa um sentimento de impotência diante da falta de informações mais concretas sobre medidas de proteção. "Neste momento, a gente se sente impotente. Nós não fomos informados até o momento se existe bunker aqui. A gente não sabe se corre e vai para o subsolo do prédio, no subterrâneo, se vamos ao metrô. A gente fica incerto", desabafou.

Apesar do cenário caótico, o casal não manifesta intenção de retornar ao Brasil imediatamente. Eles chegaram a preencher um formulário solicitado pela Embaixada Brasileira, mas até o momento não receberam qualquer notícia sobre uma possível repatriação. "A embaixada brasileira pediu para nós preenchermos o formulário e fazer o cadastro. Nós fizemos, mas ainda não tem nenhuma notícia de repatriação. O Brasil ainda não nos deu nenhuma notícia de repatriação. Assim, no momento, nós não temos intenção de voltar ao Brasil. Mesmo diante de tudo isso, a gente ainda se sente seguro aqui", explicou Patrícia.

Contexto do conflito e impactos no Catar

Os ataques que atingiram o Catar na última segunda-feira, 2 de novembro, incluíram o abate de dois caças iranianos, conforme relatos locais. Além disso, o país enfrenta interrupções na produção de gás natural, uma vez que o Estreito de Ormuz, principal rota de envio, permanece fechado devido aos bombardeios.

O conflito teve início com um ataque coordenado das forças armadas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no sábado, 28 de outubro, após semanas de negociações tensas sobre o programa nuclear iraniano. As explosões foram registradas em Teerã e em várias outras cidades do Irã, resultando inclusive na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei durante um dos bombardeios.

Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio, ampliando ainda mais a instabilidade regional. Para brasileiros como Patrícia e seu marido, a realidade é de adaptação a um contexto imprevisível, onde a segurança pessoal depende de alertas momentâneos e a espera por diretrizes mais claras das autoridades.