Unicef revela tragédia humanitária: 83 crianças mortas em ataques israelenses ao Líbano
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, dados alarmantes sobre o impacto dos ataques de Israel ao Líbano. Segundo a agência, ao menos 83 crianças foram mortas e 254 ficaram feridas desde o dia 2 de março, em uma escalada de violência que tem devastado a população civil.
Média de mais de dez crianças mortas por dia
Edouard Beigbeder, diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e Norte da África, classificou a situação como "gravemente preocupante". "Em média, mais de dez crianças foram mortas por dia no Líbano na última semana, e cerca de 36 ficaram feridas diariamente", afirmou Beigbeder em comunicado oficial.
Os números revelam uma crise humanitária em rápido agravamento. O ministro da Saúde libanês, Rakan Rakan Naseredin, anunciou em entrevista coletiva no domingo que os bombardeios israelenses mataram 394 pessoas em apenas uma semana, incluindo as crianças registradas pelo Unicef.
Onda de deslocamentos atinge 700 mil pessoas
A intensificação dos conflitos provocou uma nova onda massiva de deslocamentos. A agência da ONU estima que aproximadamente 700 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas desde 2 de março, somando-se às dezenas de milhares já desalojadas por episódios anteriores de violência.
Dentre os deslocados, cerca de 200 mil são crianças, que enfrentam condições precárias de abrigo, alimentação e acesso a serviços básicos. "O Unicef apela a todas as partes para que protejam os civis e as infraestruturas civis, incluindo escolas e abrigos", afirmou Beigbeder.
Bombardeio atinge coração de Beirute
A escalada também atingiu o centro da capital libanesa. No domingo, Israel realizou um ataque aéreo contra um hotel no centro de Beirute — o primeiro bombardeio nessa região desde o início da nova fase da guerra com o Hezbollah.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, o ataque atingiu um quarto de hotel e deixou quatro mortos e dez feridos. As Forças Armadas israelenses afirmaram que o alvo era uma reunião de comandantes ligados à Força Quds, braço de operações externas da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.
Acusações de uso ilegal de fósforo branco
Nesta segunda-feira, a organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou Israel de usar munições de fósforo branco de forma ilegal sobre áreas residenciais no sul do Líbano.
Segundo relatório da organização, evidências foram verificadas do uso da substância incendiária em 3 de março na cidade de Yohmor. Imagens analisadas e geolocalizadas pela ONG mostram projéteis de artilharia contendo fósforo branco explodindo no ar sobre um bairro residencial.
"O uso ilegal de fósforo branco sobre áreas residenciais é extremamente alarmante e terá consequências graves para civis", afirmou Ramzi Kaiss, pesquisador da Human Rights Watch para o Líbano.
Contexto do conflito regional
O Líbano foi arrastado para a atual guerra na região depois que o Hezbollah, aliado do Irã, lançou mísseis contra Israel na semana passada em resposta aos ataques de Israel e Estados Unidos contra Teerã. O conflito tem se intensificado rapidamente, com consequências humanitárias cada vez mais graves.
O Unicef instou esforços imediatos para reduzir a escalada da situação e evitar mais danos às crianças. A agência enfatizou a necessidade de todas as partes cumprirem suas obrigações sob o direito internacional humanitário, especialmente em relação à proteção de civis durante conflitos armados.



