TSE retoma processo que pode cassar mandato do governador de Roraima, Edilson Damião
TSE retoma processo que pode cassar governador de Roraima

Processo de cassação do governador de Roraima retorna ao plenário do TSE

O ministro Nunes Marques devolveu ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, nesta quarta-feira (8), o processo que pode resultar na cassação do mandato do governador de Roraima, Edilson Damião, do União Brasil. A ação também analisa a inelegibilidade do ex-governador Antonio Denarium, dos Republicanos, que renunciou ao cargo para concorrer ao Senado.

Andamento do caso no Tribunal Superior Eleitoral

O processo foi enviado à assessoria de plenário e agora pode entrar na pauta de julgamento do TSE. A presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, afirmou que já estava com a certidão do processo, mas o voto vista de Nunes Marques ainda não havia chegado ao plenário, o que impedia a liberação do caso para análise definitiva.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, comentou a situação durante sessão, revelando que recebeu o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Soldado Sampaio, também dos Republicanos, em seu gabinete. Gilmar Mendes classificou o caso como grave, destacando que "tem votos pela cassação, o governador já saiu. Eu até não sei o que é a melhor solução, se é deixar ou não deixar".

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Acusações de abuso de poder político e econômico

No processo, Denarium e Damião enfrentam acusações de abuso de poder político e econômico, quando agentes públicos ou candidatos se beneficiam do cargo ou de recursos financeiros para influenciar resultados eleitorais. A ação tramita há mais de um ano no Tribunal Superior Eleitoral.

A renúncia de Antonio Denarium não encerra o processo no TSE. Com isso, Edilson Damião continua como alvo do julgamento e pode perder o mandato como governador se a cassação do diploma for decretada. Fora do cargo, Denarium não pode mais perder o mandato, mas pode ficar inelegível por oito anos caso a punição seja confirmada.

Histórico de cassações e recursos

A punição foi aplicada inicialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima e ainda depende de decisão final do Tribunal Superior Eleitoral. Antonio Denarium foi cassado quatro vezes pelo TRE-RR. A ação que o TSE retomou e suspendeu em novembro refere-se à terceira cassação, decidida em janeiro de 2024.

Denarium e Edilson Damião recorreram da decisão estadual, o que levou o caso para julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. O então governador permaneceu no cargo porque ainda há recurso pendente de julgamento no TSE, com efeito suspensivo que impede a execução da decisão de cassação até análise definitiva da última instância da Justiça Eleitoral.

Julgamento suspenso por três vezes

Nunes Marques estava com o processo desde novembro de 2025, quando pediu vista no plenário do TSE. A devolução ocorreu após quase cinco meses de análise, sendo que o prazo inicial era de 30 dias, prorrogáveis por mais 30. Esta foi a terceira vez que o processo sobre a cassação foi suspenso no Tribunal Superior Eleitoral.

A primeira suspensão aconteceu em 13 de agosto de 2024, mesmo dia em que a ação começou a ser julgada na Corte, por comum acordo dos ministros. A segunda ocorreu em 26 de agosto de 2025, quando a análise do processo foi retomada e, cerca de duas horas após o início da sessão, o ministro André Mendonça pediu vista.

No dia 26 de agosto de 2025, antes do primeiro pedido de vista, a ministra relatora Isabel Gallotti negou os recursos apresentados pelos políticos e votou a favor da cassação dos diplomas do então governador e do vice por abuso de poder político e econômico, em voto de 82 páginas. Quando o processo foi retomado em 11 de novembro, antes do novo pedido de vista, o ministro André Mendonça concordou em cassar os mandatos de Antonio Denarium e Edilson Damião.

O g1 procurou Antonio Denarium e Edilson Damião por meio das assessorias de imprensa e aguarda retorno sobre o caso que pode definir o futuro político do atual governador de Roraima.

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