Tensão marca a passagem de bastão de Rui Costa e Gleisi Hoffmann no Planalto
Dois dos mais importantes ministros do governo Lula, Rui Costa, chefe da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, deixarão os cargos, conforme determina a legislação eleitoral, para disputar vagas no Senado. Ele concorrerá na Bahia, enquanto ela buscará uma vaga no Paraná.
Transições turbulentas nos bastidores do poder
Na teoria, as transições nas duas pastas deveriam ocorrer de forma tranquila, já que os substitutos exercerão um mandato-tampão e dificilmente serão mantidos nos cargos caso Lula conquiste a reeleição. Na prática, no entanto, sobram tumulto e disputa de poder nos bastidores do Planalto.
Na Casa Civil, a tendência é que a atual secretária-executiva Miriam Belchior, ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff, assuma no lugar de Costa. O ministro, no entanto, quer que um fiel aliado dele, Marcus Cavalcanti, seja promovido da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos para a função de número dois do ministério.
Cavalcanti é um dos responsáveis por negociar investimentos com os chineses, uma pauta cara a Rui Costa, que, por isso mesmo, está empenhado em colocar o apadrinhado numa posição melhor na estrutura de poder.
Disputa por equipe na Secretaria de Relações Institucionais
Já o sucessor de Gleisi Hoffmann será Olavo Noleto, secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, colegiado formado por empresários, trabalhadores e líderes de movimentos sociais, entre outros, com o alegado objetivo de aconselhar Lula e ajudar na formulação de políticas públicas.
Nos bastidores, diz-se que Gleisi quer manter praticamente toda a equipe dela na Secretaria de Relações Institucionais, enquanto Noleto faz o que pode para ter um pouco de autonomia na montagem do futuro elenco. Com cargos no Planalto desde o primeiro mandato de Lula, Noleto é próximo ao antecessor de Gleisi na articulação política, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que não é do mesmo grupo da ex-presidente do PT.
Papel de porta-vozes do presidente Lula
Desde o início do terceiro mandato de Lula, Rui Costa e Gleisi Hoffmann assumiram a função de falar publicamente aquilo que, muitas vezes, o presidente não podia dizer. Os dois tomaram a frente, por exemplo, nas críticas a certas propostas de ajuste fiscal defendidas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que, segundo eles, poderiam afetar investimentos e programas sociais.
Quando Lula convocou Gleisi para ocupar um gabinete no Planalto, a primeira reação dos assessores foi afirmar que a vida de Haddad, que já era alvo de fogo amigo, se tornaria ainda mais difícil dali em diante. Que seus principais adversários internos estariam 24 horas por dia nos ouvidos do presidente. Que Haddad perderia força e influência.
Não foi o que ocorreu. Como mostram as pesquisas, quem perdeu e muito nos últimos tempos foi o governo Lula, desgastado por uma pauta considerada envelhecida, por falta de rumo e por muita disputa interna, na qual Rui Costa e Gleisi Hoffmann sempre tiveram papel de destaque.
