Senador classifica prorrogação da CPMI do INSS como conquista histórica para beneficiários
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), manifestou profunda satisfação nesta terça-feira (24) com a determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão judicial, proferida na segunda-feira (23), ordena a prorrogação imediata dos trabalhos da comissão investigativa, sendo caracterizada pelo parlamentar como uma "vitória do povo e dos aposentados".
Confronto institucional e judicialização necessária
Durante entrevista concedida ao Estúdio i, da GloboNews, Viana fez duras críticas à postura adotada pelo presidente do Senado, David Alcolumbre (União-AP). O senador mineiro revelou que a Secretaria-Geral da Mesa teria se recusado sistematicamente a receber o requerimento formal de prorrogação, mesmo com todas as assinaturas necessárias já coletadas. "Nós não precisávamos de uma decisão do Supremo para que o presidente do Senado cumprisse o que é obrigação do Parlamento: investigar", afirmou Viana, com evidente frustração.
O parlamentar detalhou que a medida judicial se tornou indispensável diante da negativa de diálogo. A ordem do ministro Mendonça estabeleceu um prazo peremptório de 48 horas para que Alcolumbre oficialize a extensão do mandato da CPMI. Em resposta, o presidente do Senado solicitou um parecer técnico da advocacia da Casa antes de cumprir a determinação judicial, gerando nova tensão institucional.
Resultados concretos e resistência inexplicável
Carlos Viana questionou publicamente os motivos por trás da resistência enfrentada no Congresso Nacional, especialmente considerando os resultados expressivos já alcançados pela comissão de inquérito. "Eu me pergunto: a quem interessa não investigar?", indagou o senador, destacando números impressionantes: 21 pedidos de prisão já formalizados e R$ 3,5 bilhões em bens apreendidos durante as investigações.
Para o presidente da CPMI, a intervenção do STF trouxe benefícios que transcendem a própria comissão. "A decisão do ministro Mendonça melhora a imagem do próprio Supremo Tribunal Federal e do Parlamento brasileiro", argumentou Viana, enfatizando o caráter democrático e republicano da medida judicial.
Novos focos investigativos e proteção aos aposentados
Com a prorrogação garantida, Carlos Viana anunciou que os trabalhos da comissão se concentrarão em duas frentes principais:
- Investigação aprofundada sobre o sistema de empréstimos consignados na Previdência Social
- Desenvolvimento de mecanismos legislativos para proteger os aposentados contra abusos praticados por instituições financeiras
O senador lembrou conquistas recentes: "Já conseguimos que os aposentados não sejam mais descontados por associações e sindicatos sem autorização expressa". Agora, o objetivo é criar uma legislação específica que impeça práticas abusivas dos bancos dentro do sistema previdenciário.
Críticas e blindagem política
Questionado sobre alegações de que a CPI não teria avançado sobre figuras políticas relevantes, Viana atribuiu a limitação à atuação da base governista no Congresso. "A base do governo blindou sistematicamente os requerimentos de investigação", explicou o parlamentar, acrescentando: "Meu desejo pessoal era investigar qualquer pessoa ou parente envolvido, mas isso não diminui o mérito de um relatório que será transparente e rigorosamente embasado".
O senador também comentou outra decisão judicial recente que impactou os trabalhos da comissão: a determinação do ministro Flávio Dino que barrou quebras de sigilo aprovadas coletivamente pela CPMI. Para Viana, a medida representou "interferência política para proteger figuras centrais do esquema investigado", especialmente uma lobista supostamente ligada ao chamado "careca do INSS".
Metodologia e prazos realistas
Carlos Viana defendeu o método de votação coletiva adotado pela comissão, argumentando que se trata de prática comum em outras instâncias do Judiciário brasileiro. "O próprio Supremo Tribunal Federal vota em bloco, o Ministério Público também adota esse procedimento", justificou o parlamentar, acrescentando que cada requerimento possui justificativa individual e análise de pertinência.
Apesar do mandado de segurança prever uma prorrogação de 120 dias, o presidente da CPMI defende um cronograma mais enxuto. "No máximo, 60 dias são suficientes para encerrarmos os trabalhos da comissão com qualidade", afirmou Viana, demonstrando preocupação em evitar que a investigação se transforme em "palanque eleitoral" em ano de eleições municipais.
O senador finalizou reafirmando o compromisso com um relatório técnico e consensual: "Temos poucos dias para terminar esse documento histórico, e nosso objetivo é buscar um texto de consenso, que inclusive possa contar com a colaboração do governo federal".



