Senadores expõem plenário vazio do Senado em vídeo crítico na semana pré-Carnaval
Em uma ação que mistura protesto e denúncia, os senadores Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Eduardo Girão (Novo-CE) gravaram um vídeo impactante nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, para mostrar aos eleitores a realidade do plenário do Senado completamente deserto. A cena, registrada em pleno horário de trabalho, revela uma ausência generalizada de parlamentares, levantando questões sobre o comprometimento dos representantes com suas funções legislativas.
Crítica à inatividade em período de folia nacional
O senador mineiro Cleitinho Azevedo não poupou palavras ao apontar a câmera para as cadeiras vazias. "Você está trabalhando aí, não está? Olha como está aqui", disse ele, destacando o contraste entre a rotina do cidadão comum e a aparente paralisação da Casa. Segundo o parlamentar, a justificativa para a falta de presença seria a proximidade do Carnaval, um período que tradicionalmente reduz a atividade política no país.
"É uma semana normal, mas no Senado não é, porque antecede o Carnaval", explicou Cleitinho. "Esta semana não funciona e sexta começa o famoso Carnaval. Vai até terça, e quarta é Cinzas. Você acha que vamos trabalhar na semana que vem também?" O questionamento reflete uma insatisfação com a extensão do recesso, que poderia comprometer a produtividade legislativa em um momento crucial.
Contexto das votações e apelo por veto presidencial
Eduardo Girão, senador pelo Ceará, complementou a crítica ao lembrar que a única sessão realizada neste ano ocorreu de forma remota. "Aqui (no plenário), a última foi em dezembro", afirmou, ressaltando a falta de atividades presenciais. As votações de projetos no Congresso Nacional, que normalmente acontecem entre terças e quintas-feiras, parecem ter sido afetadas pela antecipação do período de folia.
Além de expor a inatividade, os dois parlamentares, ambos alinhados à direita política, fizeram um apelo direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles pediram que ele vete uma proposta que aumenta os chamados "penduricalhos" para servidores públicos do Poder Legislativo, benefícios que elevam os vencimentos acima do teto constitucional. "Se o Lula vetar, qual deputado e senador vai colocar digital para derrubar o veto dele?", questionou Girão, sugerindo uma possível resistência política à medida.
Riscos políticos e impacto eleitoral
Cleitinho Azevedo, que é cotado para disputar o Governo de Minas Gerais nas eleições deste ano, reconheceu os riscos de sua atitude. "Vai chegar senador aqui e nem olhar na cara da gente mais", admitiu, ao refletir sobre as possíveis consequências dentro do próprio Senado. A gravação do vídeo, portanto, não é apenas uma crítica, mas também uma manobra arriscada que pode afetar suas relações políticas.
O senador mineiro ainda reforçou seu discurso ao perguntar: "Como vota um projeto desse e o trabalhador ganha 1.600 reais em escala 6 por 1. Cadê esse povo para trabalhar? Por que o Senado está parado?" Essas indagações buscam mobilizar a opinião pública e pressionar por mudanças, especialmente em um ano eleitoral.
A ação de Cleitinho e Girão visa expor uma disparidade percebida entre o Legislativo e a população trabalhadora, usando as redes sociais como plataforma de denúncia. O vídeo, compartilhado nas contas dos parlamentares, já circula amplamente, gerando debates sobre a eficiência e o compromisso dos senadores em cumprir suas obrigações, mesmo em períodos festivos como o Carnaval.



