Câmara pode aprovar hoje redução da maioridade penal para 16 anos em crimes violentos
Redução da maioridade penal pode ser aprovada hoje pela Câmara

Câmara pode aprovar hoje redução da maioridade penal para 16 anos em crimes violentos

Em meio a intensa polêmica, a Câmara dos Deputados pode votar ainda nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, a redução da maioridade penal para 16 anos de idade, especificamente para crimes cometidos com violência ou grave ameaça. A medida está prevista no substitutivo apresentado pelo deputado e relator Mendonça Filho (União Brasil-PE) à PEC da Segurança, uma das principais apostas do governo federal para demonstrar resultados concretos no combate à criminalidade.

Os detalhes da proposta e os requisitos para aprovação

A proposta encontra-se na pauta do plenário da Câmara e necessita de 308 votos favoráveis dos 513 deputados para ser aprovada, o que equivale a três quintos da Casa. O texto propõe alteração do artigo 228 da Constituição Federal, que atualmente estabelece a maioridade penal aos 18 anos completos. Atualmente, menores de idade respondem por ato infracional equiparado a crime e podem, como penalidade máxima, ficarem internados em instituição socioeducativa por período de até três anos.

A PEC cria uma exceção específica apenas para crimes cometidos com violência ou grave ameaça à vítima. Embora não exista uma classificação absolutamente objetiva na legislação para esse conceito, a expressão é tradicionalmente utilizada quando o autor do delito emprega força física, agressões diretas ou faz uso de armamentos contra a vítima.

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Contexto político e repercussões recentes

A votação deste texto promete gerar um acirrado embate entre governo e oposição. A PEC foi originalmente desenhada pelo Ministério da Justiça sob a gestão de Ricardo Lewandowski, com o objetivo principal de institucionalizar a integração entre as diversas forças de segurança e colocar sob a competência da Polícia Federal os inquéritos sobre organizações criminosas transnacionais. Os sucessivos embates com o Congresso Nacional nessa área sensível e as notórias dificuldades de articulação política desgastaram significativamente a gestão de Lewandowski, que acabou por deixar o ministério.

A repercussão de delitos graves que teriam sido praticados por menores de idade – como o emblemático caso do Cão Orelha, ainda sem desfecho conclusivo, e o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro – podem servir de combustível adicional para a decisão dos parlamentares. Na semana passada, a vizinha Argentina aprovou a redução da maioridade penal para 14 anos, sendo que lá a maioridade já era de 16 anos, portanto inferior à vigente no Brasil.

Posicionamentos contrários e debate constitucional

Se a Câmara aprovar o texto substitutivo da PEC, ele seguirá imediatamente para análise e votação no Senado Federal. O Ministério dos Direitos Humanos divulgou uma nota oficial no começo da semana afirmando que a redução da maioridade penal, conforme prevista no substitutivo da PEC, é inconstitucional. “É preciso enfrentar este debate crucial com base em evidências sólidas e dados concretos. Os principais responsáveis pelos altos índices de criminalidade no país são fatores complexos e multifacetados, que envolvem organizações criminosas estruturadas, atuação de facções poderosas, desigualdades históricas profundas e falta de oportunidades”, diz trecho da nota ministerial.

O documento prossegue: “Os adolescentes não são os principais autores dos crimes violentos no Brasil. Ao contrário, são, em grande medida, as maiores vítimas da violência letal em nosso território”. Esta posição reflete o cerne do debate sobre eficácia e justiça na abordagem da criminalidade juvenil.

Novo capítulo no embate direita versus esquerda

A votação da proposta, contra a qual os líderes governistas já manifestaram clara oposição, deve provocar um novo e ruidoso embate entre direita e esquerda no plenário, reminiscente do ocorrido na votação do PL Antifacção, outro projeto estratégico da gestão Lula para a área de segurança pública. Aquele projeto, igualmente relatado por um político conservador, Guilherme Derrite (PP-SP), sofreu várias alterações significativas durante sua tramitação, demonstrando a complexidade e a polarização que marcam essas discussões no Congresso Nacional.

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O desfecho da votação desta quarta-feira não apenas definirá o rumo de uma mudança constitucional histórica, mas também servirá como termômetro do equilíbrio de forças políticas no legislativo e da capacidade de articulação do governo em sua agenda de segurança pública.