Polícia Militar retira estudantes que ocupavam prédio da Educação em SP após protesto
A Polícia Militar realizou na madrugada desta quinta-feira (26) a retirada de um grupo de 21 estudantes que ocupavam uma sala no prédio da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), localizado no Centro da capital paulista. A ação ocorreu após um dia de ocupação organizada por entidades estudantis, que exigiam melhores condições de ensino e maior valorização dos professores. A TV Globo registrou o momento em que os manifestantes entraram no local.
Entidades envolvidas e relatos de violência
Participaram da mobilização a União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP). Segundo essas organizações, os manifestantes são jovens provenientes de diversas regiões do estado. Estudantes da Upes relataram que os policiais invadiram o local, agrediram manifestantes e realizaram detenções durante a operação de desocupação.
Posicionamento da Secretaria da Segurança Pública
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência de invasão a prédio público e que houve tentativas de negociação antes da desocupação. De acordo com a secretaria, cerca de 21 pessoas, incluindo adultos e menores de idade, estavam no prédio, e foi necessário utilizar spray de pimenta para conter a situação. "Após tentativa de negociação, os policiais militares realizaram a retirada dos manifestantes. Foi necessário uso de spray de pimenta", afirmou a SSP em nota oficial.
Após a retirada, os manifestantes foram conduzidos ao 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, onde foram ouvidos e posteriormente liberados. A pasta assegurou que ninguém ficou ferido durante o incidente. O caso foi registrado como dano ao patrimônio público, e a perícia técnica foi acionada para avaliar os estragos.
Reivindicações dos estudantes e resposta da Seduc-SP
Em vídeos divulgados nas redes sociais na quarta-feira (25), os estudantes haviam estabelecido como condição para desocupar o prédio uma reunião com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou com o secretário da Educação, Renato Feder. A Secretaria da Educação, por sua vez, afirmou que desde a última quinta-feira (19), o secretário Renato Feder aguardava representantes da Upes para uma reunião. Segundo a pasta, havia um encontro previamente agendado com os estudantes, que foi cancelado a pedido do próprio grupo, e uma nova audiência foi marcada para esta sexta-feira (27).
A Seduc-SP destacou que os manifestantes optaram pela ocupação do prédio em vez de participar da reunião agendada. Em comunicado, a secretaria reafirmou seu compromisso com o diálogo e listou uma série de investimentos e conquistas na educação pública estadual, incluindo:
- Investimento recorde em infraestrutura: R$ 3,1 bilhões em 6.764 obras entre 2023 e 2026.
- Expansão do ensino médio técnico, que saltou de 35 mil alunos em 2023 para mais de 230 mil estudantes.
- Programas como o Provão Paulista Seriado, que permitiu a mais de 46 mil alunos ingressarem em instituições públicas de ensino superior.
- Iniciativas como o Prontos pro Mundo, oferecendo intercâmbio internacional gratuito para estudantes da rede pública.
A secretaria também enfatizou avanços no desempenho educacional, como recordes no Saresp em matemática e a conquista do nível ouro do MEC na alfabetização.
Conclusão do incidente
O episódio reflete tensões entre movimentos estudantis e o governo estadual, com os jovens buscando maior participação nas decisões educacionais. Enquanto as autoridades destacam investimentos e diálogo, os estudantes continuam a pressionar por mudanças mais profundas na qualidade do ensino e nas condições de trabalho dos educadores. A situação permanece sob acompanhamento, com expectativa de que as reuniões agendadas possam avançar nas discussões sobre as pautas apresentadas.



