Prefeito do Rio de Janeiro renuncia para concorrer ao Palácio Guanabara
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), 56 anos, oficializou sua renúncia nesta sexta-feira (20) para disputar o governo estadual, descumprindo uma promessa de campanha feita durante sua última eleição municipal. A decisão marca o início de uma nova fase política para o gestor, que busca ampliar sua influência no cenário estadual.
Quebra de compromisso e estratégia eleitoral
Durante a campanha para a reeleição em 2024, Paes havia declarado publicamente que considerava sua obrigação concluir o quarto mandato à frente da prefeitura. Agora, justifica sua candidatura ao governo como uma forma de contribuir ainda mais com a cidade. Aliados afirmam que a mudança não deve gerar rejeição significativa, pois pesquisas internas indicam que seus eleitores desejam vê-lo concorrendo ao Palácio Guanabara.
Com a saída, assume o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), 31 anos, que se tornará o mais jovem a ocupar o cargo na história da cidade. Paes deixa um legado de 13 anos, 2 meses e 20 dias à frente do Palácio da Cidade, superando o recorde de seu antigo padrinho político, Cesar Maia, que permaneceu 12 anos no comando.
Discurso de linha dura e embates com o governo estadual
Na última semana no cargo, Paes intensificou embates com o governador Cláudio Castro (PL) nas áreas de transportes e segurança pública, sinalizando claramente os temas centrais de sua campanha eleitoral. Adotou publicamente o termo "neutralizar" para se referir à morte de criminosos em confrontos, uma expressão característica do vocabulário bolsonarista que busca atrair eleitores de direita no estado.
"Chegou a hora de terminar com a hipocrisia tradicional no Rio: se um delinquente ameaça a vida de um agente do Estado ou de um cidadão, só o Estado constituído tem o dever e o direito de neutralizar esse delinquente", escreveu o prefeito em suas redes sociais ao comentar uma operação policial no morro dos Prazeres, em Santa Teresa.
Conflito nos transportes e posicionamento político
O setor de transportes também foi palco de confronto entre prefeitura e governo estadual. A administração municipal iniciou a operação do BRT Metropolitano, que prometia ligar municípios da Baixada Fluminense à rede de corredores viários da capital com redução de tempo e custo para passageiros. O Detro (Departamento Estadual de Transporte Rodoviário) considerou a iniciativa uma invasão de atribuições estaduais e chegou a apreender um ônibus, ameaçando prender o secretário municipal de Transportes caso o serviço continuasse.
Paes reagiu nas redes sociais: "Alô povo da Baixada Fluminense, especialmente de Mesquita. O governo Cláudio Castro acabou de apreender um ônibus nosso do BRT Metropolitano que vai atender o morador da Baixada pela metade do tempo e metade do preço! Que gente desrespeitosa". No final do dia, as partes chegaram a um acordo para o início da operação da linha de Mesquita.
Alinhamentos e estratégias para a campanha
Embora garanta manter apoio ao presidente Lula nas eleições presidenciais, Paes tem buscado proximidade com nomes alinhados ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Indicou o ex-deputado Washington Reis (MDB), aliado do provável adversário do petista, como seu vice na chapa ao governo estadual. O prefeito afirma ter o aval de Lula para esses movimentos em um estado onde o presidente perdeu para Jair Bolsonaro em 2022.
Paes é o primeiro prefeito a renunciar ao cargo desde a redemocratização, marcando uma transição política significativa no Rio de Janeiro enquanto prepara sua campanha para as eleições estaduais de outubro.



