Paes ataca Castro após prisão de vereador do PSD e acusa uso político da Polícia Civil
Paes acusa Castro de uso político da polícia após prisão de vereador

Conflito político se intensifica no Rio após prisão de vereador do PSD

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), lançou um ataque público direto contra o governador Cláudio Castro (PL) na noite desta quarta-feira, 11 de março de 2026, acusando-o de fazer uso político da Polícia Civil. A manifestação ocorreu através de uma gravação divulgada nas redes sociais, marcando uma escalada significativa nas tensões entre os dois líderes políticos.

Contexto da prisão que desencadeou o conflito

O estopim do confronto foi a prisão do vereador Salvino Oliveira, também do PSD, realizada na manhã do mesmo dia. O parlamentar foi detido pela suspeita de ter negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca. A investigação aponta que Oliveira teria buscado autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho.

Na gravação, Paes não poupou críticas ao governador: "Governador é omisso e conivente com aliados que se envolvem com o crime", declarou o pré-candidato a governador. Ele ainda expressou estranheza com o timing da operação policial, afirmando que "causa muita estranheza operação da Polícia Civil contra vereador do PSD justamente nesse momento" e classificando a ação como tendo "caráter eleitoreiro".

Histórico de operações e acusações mútuas

Sem citar nomes específicos, com exceção do ex-deputado TH Joias, Paes lembrou de operações anteriores da Polícia Federal que teriam como alvo aliados de Castro. "O que não dá para aceitar é o que venho denunciando há muito tempo: o uso político das forças policiais comandadas pelo governador Cláudio Castro", afirmou o prefeito.

Paes também destacou o problema da infiltração do crime organizado na política, descrevendo-o como "um dos problemas centrais da grave crise de segurança pública que a gente vive no Rio de Janeiro". Ele mencionou que, apenas naquela semana, mais um ex-subsecretário havia sido preso por suspeita de ligação com o tráfico.

O contexto inclui a prisão na segunda-feira do delegado federal Fabrízio Romano, como parte da Operação Anomalia que também atingiu TH Joias. A operação tinha como alvos adicionais advogados e o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, que já se encontrava preso e acumulou novo mandado de prisão por suspeita de receber propina para auxiliar em processo de extradição de traficante.

Defesa do vereador e posicionamento político

No vídeo, Paes buscou estabelecer um contraste claro entre sua postura e a de Castro. "Quero dizer aqui que, se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou qualquer quem seja, serei o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita", afirmou, acrescentando que "aqui não se passa mão na cabeça de quem faz coisa errada".

Paralelamente, o prefeito defendeu Salvino Oliveira, descrevendo-o como "jovem vereador eleito, de origem simples, nascido na Cidade de Deus" e destacando que ele "nunca fez pedido sobre quiosques". Oliveira havia atuado anteriormente como secretário da Juventude na prefeitura.

Resposta do governador e acusações recíprocas

Mais cedo, antes da manifestação de Paes, o governador Cláudio Castro havia postado o vídeo da prisão do vereador, acusando o parlamentar de ser "braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio". A troca de acusações marca uma subida de tom na pré-campanha eleitoral.

Paes ainda afirmou que Castro estaria "acuado por causa de denúncias como a do Ceperj", referindo-se a mais um elemento do conflito político que divide as lideranças do estado. O embate público expõe as profundas divisões na política fluminense e coloca em evidência as acusações mútuas sobre relações com o crime organizado e uso de instituições policiais para fins políticos.