O Partido Novo formalizou uma denúncia por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acusando-o de obstruir a votação de pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A ação, encaminhada ao Conselho de Ética do Senado na última segunda-feira, 9 de março de 2026, pode resultar no afastamento de Alcolumbre da presidência da Casa e, em casos extremos, na cassação de seu mandato.
Acusações de omissão e bloqueio institucional
Assinada pelo presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, a denúncia alega que Alcolumbre descumpriu suas prerrogativas ao utilizar o poder de agenda de forma omissiva e seletiva. Segundo o documento, o senador amapaense se recusa a colocar em votação "dezenas de pedidos" de impeachment contra Moraes, o que, na visão do partido, impede o Poder Legislativo de exercer sua função fiscalizadora e configura um bloqueio institucional.
Repercussão política e apoio partidário
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), um dos proponentes da ação, declarou que espera que outros partidos se juntem à iniciativa. "É um silêncio ensurdecedor injusto que acontece nesta Casa. Eu espero que, a partir dessa representação que nós faremos no Conselho de Ética, outros partidos também entrem nessa", afirmou Girão. Além dos pedidos de impeachment, a denúncia menciona que Alcolumbre também ignora solicitações para a instauração da CPMI do Banco Master, que visa investigar autoridades ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso recentemente.
Zema reforça pressão com novo pedido de impeachment
Paralelamente, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deslocou-se a Brasília na mesma segunda-feira para apresentar um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. Em suas redes sociais, Zema destacou: "Dois presidentes da República já foram derrubados, mas nunca um ministro do Supremo". O documento baseia-se em desdobramentos do Caso Master, incluindo um contrato de 129 milhões de reais entre o Banco Master e a esposa de Moraes, Viviane Barci, além de mensagens da Polícia Federal que sugerem encontros entre o magistrado e Vorcaro.
Contexto e implicações legais
A ação no Conselho de Ética representa um aumento significativo da tensão política no Congresso Nacional. Se procedente, o processo pode levar a sanções graves contra Alcolumbre, incluindo sua remoção do cargo. A situação reflete disputas mais amplas sobre a separação de poderes e a atuação do STF, com o Partido Novo posicionando-se como crítico ferrenho de supostas interferências judiciais.
Especialistas em direito constitucional alertam que a movimentação pode abrir precedentes para futuros conflitos institucionais, enquanto analistas políticos veem nisso uma estratégia para galvanizar apoio eleitoral. O desfecho dependerá das deliberações do Conselho de Ética e do possível envolvimento de outras bancadas partidárias no embate.



