Ferrovia é liberada após ocupação do MST em Tumiritinga
Após mais de 24 horas de interdição, a linha férrea da Estrada de Ferro Vitória-Minas foi liberada na tarde desta terça-feira (10) em Tumiritinga, no Leste de Minas Gerais. A ação foi realizada por manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que encerraram o bloqueio após avanços nas negociações com a mineradora Samarco. Com a desocupação, o Trem de Passageiros voltará a circular normalmente nesta quarta-feira (11), conforme anunciado pela Vale.
Impacto nas viagens e orientações aos passageiros
A ocupação provocou a suspensão das viagens entre Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Cariacica, no Espírito Santo, afetando a mobilidade de centenas de passageiros. De acordo com a Vale, as operações serão retomadas nos dois sentidos, com partidas programadas para as 7h da manhã a partir de ambas as localidades.
Passageiros que tinham viagens marcadas para segunda-feira (9) ou terça-feira (10) receberam orientações específicas:
- Podem remarcar os bilhetes sem custos adicionais
- Têm direito a solicitar o reembolso do valor pago
- O prazo para essas solicitações é de até 30 dias
Para mais informações, a empresa disponibilizou o canal Alô Vale através do telefone 0800 285 7000.
Negociações e conquistas do movimento
Segundo o MST, cerca de 700 mulheres participaram da mobilização, que integrou a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra 2026. A desocupação ocorreu após a Samarco assumir compromissos significativos:
- Início do reflorestamento de aproximadamente 2 mil hectares em assentamentos da reforma agrária na região
- Avanço no pagamento das indenizações individuais às famílias atingidas
O movimento avalia que essas medidas representam um passo importante na reparação ambiental e social, embora reconheça que ainda não atendem a todas as reivindicações apresentadas. A necessidade de restauração ambiental na região é estimada em pelo menos 5.700 hectares, indicando que há muito trabalho pela frente.
Contexto histórico e pautas pendentes
A mobilização também fez referência aos dez anos do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015 em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Segundo o MST, milhares de famílias da Bacia do Rio Doce ainda aguardam medidas de reparação pelos impactos ambientais e sociais provocados pelo desastre. Cerca de duas mil famílias sem terra continuam esperando indenizações relacionadas aos danos causados pelo rompimento.
Mesmo com o fim do bloqueio na ferrovia, o MST informou que a mobilização continua. Entre as principais pautas defendidas pelo movimento estão:
- Continuidade das ações de reflorestamento em áreas atingidas
- Acesso à água potável para famílias impactadas
- Pagamento integral das indenizações às famílias atingidas
A situação em Tumiritinga ilustra as tensões persistentes entre movimentos sociais e empresas do setor mineral, com demandas que remontam a uma década de tragédias ambientais não completamente resolvidas.
