MST mobiliza 24 estados em protesto pelo massacre de Eldorado do Carajás
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou uma ampla onda de protestos em 24 unidades da Federação, marcando o trigésimo aniversário do massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido no Pará em 17 de abril de 1996. As ações, que incluem invasões de propriedades privadas, ocupações de áreas públicas e mobilizações diversas, têm como objetivo principal denunciar a impunidade dos responsáveis pelo massacre e pressionar o governo federal pela aceleração da reforma agrária.
Invasões e ocupações em múltiplas regiões
Na madrugada desta quarta-feira, aproximadamente 500 militantes do MST invadiram a Fazenda Córrego, localizada no município de Madalena, no estado do Ceará. Segundo os manifestantes, a propriedade possui mais de 300 hectares de terras consideradas improdutivas, o que justificaria a ação de ocupação para fins de reforma agrária.
Paralelamente, no estado do Tocantins, militantes ocupam desde terça-feira o Loteamento Praia Chata, uma área pública da União situada no município de São Sebastião. O movimento afirma que, apesar de existir uma portaria governamental instituindo um assentamento no local, a medida nunca foi concretizada, deixando a área vulnerável à especulação imobiliária e sem famílias assentadas.
Em um ato simbólico de pressão política, cerca de 200 militantes ocuparam também a Procuradoria do Estado em Presidente Prudente, localizada no Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo. A ação busca exigir do governo paulista a arrecadação e destinação de terras públicas para a reforma agrária, visando resolver a situação de vulnerabilidade social de famílias sem terra que, em alguns casos, aguardam há mais de duas décadas em acampamentos precários.
Protesto contra impunidade e política de assentamentos
O MST utiliza as mobilizações para destacar a impunidade histórica relacionada ao massacre de Eldorado do Carajás, onde 19 sem terra foram mortos por policiais militares. "Dos 155 agentes do Estado envolvidos no massacre, apenas 2 foram presos", afirma o movimento em comunicado oficial. Além disso, os manifestantes exigem reparação aos sobreviventes e criticam a insuficiência da atual política de assentamentos do governo federal.
As ações coordenadas em 24 estados representam uma estratégia de visibilidade nacional para as demandas do movimento, que incluem:
- Aceleração dos processos de reforma agrária
- Punição efetiva dos responsáveis pelo massacre de Eldorado
- Destinação de terras públicas para assentamentos
- Reparação às famílias das vítimas e sobreviventes
Homenagens institucionais na Câmara dos Deputados
Enquanto o MST realiza protestos nas ruas, a Câmara dos Deputados organiza eventos oficiais para homenagear as vítimas do massacre. Está prevista para esta quarta-feira uma audiência pública no Plenário Adão Pretto da Comissão de Direitos Humanos, seguida de uma sessão solene no Plenário Ulysses Guimarães.
O movimento convidou diversas autoridades para participar da sessão solene, incluindo:
- O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB)
- A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli
- O presidente do Incra, César Aldrighi
- Representantes da Presidência da República
Esta conjunção de protestos nas ruas e homenagens no Congresso Nacional reflete a complexidade do debate sobre reforma agrária no Brasil, três décadas após um dos episódios mais violentos da história recente do conflito fundiário no país.



