Missão enfrenta obstáculo de idade para candidatura ao Senado por São Paulo
Missão tem obstáculo de idade para Senado por SP

Missão enfrenta desafio geracional em disputa eleitoral por São Paulo

O partido Missão, uma nova força no cenário político brasileiro originada do Movimento Brasil Livre (MBL), declara seu objetivo de representar principalmente os eleitores mais jovens. Contudo, essa mesma juventude que caracteriza seus quadros pode se transformar em um obstáculo significativo nas eleições de outubro. Devido aos requisitos constitucionais de idade mínima para determinados cargos, a legenda corre o sério risco de não conseguir apresentar um candidato ao Senado pelo estado de São Paulo.

Requisito constitucional e a busca por candidatos elegíveis

A Constituição Federal estabelece que, para os cargos de senador, presidente e vice-presidente da República, a idade mínima exigida é de 35 anos. A intenção inicial do partido Missão era lançar a vereadora Amanda Vettorazzo, atualmente filiada ao União Brasil, que possui 37 anos e, portanto, cumpre o requisito etário. No entanto, a situação é mais complexa entre os parlamentares paulistas da legenda em esferas superiores, que são consideravelmente mais novos.

O deputado federal Kim Kataguiri tem 30 anos, enquanto o deputado estadual Guto Zacarias possui apenas 26 anos. Kim é pré-candidato ao governo do estado, e Guto busca uma vaga na Câmara dos Deputados. Ambos estão em processo de saída do União Brasil para concorrerem oficialmente pela Missão. A desfiliação de Amanda Vettorazzo, por sua vez, depende inteiramente da autorização de Milton Leite, líder histórico do União Brasil em São Paulo e ex-presidente da Câmara Municipal da capital.

O impasse político e a influência de Milton Leite

Milton Leite, que deixou a Câmara em 2025 mas mantém uma influência política robusta e o comando do Diretório Municipal do União Brasil, já declarou publicamente que "o partido não vai liberar" a desfiliação da vereadora. A janela partidária aberta recentemente aplica-se apenas aos cargos de deputados federais, estaduais e distritais, que estão em disputa este ano. Como Amanda Vettorazzo exerce o mandato de vereadora, sua saída sem autorização partidária configuraria infidelidade partidária, colocando em risco seu cargo atual.

Coordenadora nacional do MBL e com aproximadamente 1,2 milhão de seguidores no Instagram, sua principal rede social, Amanda Vettorazzo representa atualmente uma das poucas lideranças vinculadas ao movimento que atendem ao requisito constitucional de idade para disputar uma vaga no Senado. Em declarações anteriores à manifestação de Leite, ela afirmou: "É um cargo com muita prerrogativa, muito importante. Se eu conseguir pleitear o Senado, é de fato uma responsabilidade muito grande". Uma reunião entre os dois está agendada para as próximas semanas.

A visão estratégica e os objetivos do partido

Para Amanda Vettorazzo, o Senado possui um papel estratégico fundamental em um dos objetivos centrais da Missão: influenciar politicamente as próximas gerações. Isso se deve especialmente aos mandatos mais longos de oito anos e ao caráter da casa, voltada para decisões de longo prazo. "Elaborar políticas públicas não para a próxima eleição, já que o mandato é de oito anos, mas para a próxima geração", explicou a vereadora.

Ela também destacou que levaria à campanha um discurso de defesa institucional de São Paulo e de maior protagonismo do estado nas decisões nacionais, além do controle sobre outros Poderes. "É função do senador também combater algumas atribuições e decisões abusivas do STF", afirmou. A influência de Milton Leite permanece inabalável, mesmo diante de denúncias de ligação com a empresa de ônibus Transwolff, investigada por suspeita de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A perspectiva da geração Z e as alternativas partidárias

Para Kim Kataguiri, o empecilho da idade não representa um problema, pois está em consonância com a intenção do partido de contar com quadros jovens e gerar identificação com o eleitor mais novo. "A nossa ideia é ser um partido da geração Z [nascidos entre 1997-2012]. Naturalmente, geração Z não terá idade para disputar a eleição para o Senado ou para a Presidência [neste momento]. A maioria esmagadora dos nossos quadros é Z, no máximo Millennial [nascidos entre 1981-1996]. É natural que a gente, representando mais essa parcela da população, tenha menos quadros que tenham a idade para disputar esses cargos", argumentou o deputado federal.

Em 2024, Kim lançou uma pré-candidatura a prefeito de São Paulo com aval da direção nacional do União Brasil, mas a candidatura não foi concretizada porque Milton Leite preferiu apoiar a reeleição de Ricardo Nunes (MDB). "O meu relacionamento é muito mais com a bancada federal do que com o Milton, os quadros aqui de São Paulo. Eu saio [do União] muito tranquilamente", afirmou Kim. Questionado sobre a possibilidade de apoiar candidatos de outros partidos caso não consigam a liberação de Amanda Vettorazzo, o parlamentar foi taxativo: "Não existe nenhuma hipótese de a gente apoiar nome de outro partido. Ou a gente encontra uma alternativa ou a gente não apoia ninguém. Todas as candidaturas pelo país são isso".

Outras candidaturas e a expansão da legenda

Além das pré-candidaturas já anunciadas – Renan Santos para a Presidência da República, Kim Kataguiri para o governo de São Paulo, Amanda Vettorazzo para o Senado e Guto Zacarias para a Câmara dos Deputados –, o partido Missão pretende lançar também o subprefeito da Vila Mariana, Rafael Minatogawa, para a disputa de um cargo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Essa movimentação demonstra a ambição da legenda em consolidar sua presença em múltiplas esferas do poder, mesmo enfrentando os desafios impostos pelos requisitos etários e pelas complexidades das transições partidárias.