Futuro governador de MG desafia Judiciário e promete 'limites' ao TJMG em meio a crise eleitoral
MG: Futuro governador ameaça descumprir decisões judiciais e colocar limites no TJ

Futuro governador de Minas Gerais desafia o Judiciário e promete impor limites ao TJMG

O vice-governador de Minas Gerais, Matheus Simões (PSD), que assumirá o governo estadual em março com a renúncia antecipada de Romeu Zema (Novo), comprou uma briga aberta com o Poder Judiciário mineiro nesta semana. Em declarações polêmicas, o político afirmou que pode descumprir decisões judiciais técnicas e prometeu colocar limites ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

O estopim da crise: escolas cívico-militares sem orçamento

Tudo começou quando Simões se posicionou contra uma decisão técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre um programa de construção de escolas cívico-militares estaduais. Segundo o órgão de controle, o projeto não possui previsão orçamentária adequada nem planejamento de execução detalhado. A decisão do TCE foi posteriormente referendada pelo TJMG, o que desencadeou a reação furiosa do futuro governador.

Eu não admito interferência de Judiciário, de Tribunal de Contas, em decisões administrativas, declarou Simões, que é advogado de formação. Se querem ficar presos em tecnicalidade, para tentar impedir que a gente faça o sistema crescer, eles escolheram o adversário errado.

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O político foi além e fez uma ameaça direta: Pode preparar para mandar me prender, porque eu vou abrir colégios cívico-militares assim que eu, no exercício como governador do estado de Minas, dentro de sessenta dias.

Críticas ao Judiciário e referência ao STF

Simões não poupou críticas ao Poder Judiciário estadual, fazendo inclusive uma referência indireta ao Supremo Tribunal Federal (STF). Respeito muito os poderes, desde que eles respeitem o papel do Executivo e que eles se restrinjam a decidir sobre aquilo que compete a eles pela Constituição, afirmou.

Em seguida, lançou um aviso contundente: Se eles tentarem atravessar a linha, vão ter que sofrer as consequências, porque nós não estamos submetidos ao Judiciário como muitas vezes parece. Eles têm limite, e alguém tem que começar a frear a atuação dos juízes neste país.

E finalizou com uma declaração que ecoa discursos de confronto entre poderes: Se, infelizmente, o STF não encontra limites em Brasília, em Minas Gerais o Tribunal de Justiça vai começar a conhecer limites.

Estratégia eleitoral em meio a aliança de direita em crise

Analistas políticos avaliam que a postura agressiva de Simões faz parte de uma estratégia eleitoral mais ampla, em um momento delicado para suas ambições. O futuro governador, que será candidato ao governo em outubro de 2026, enfrenta sérias dificuldades para consolidar uma aliança de direita em torno de seu nome.

Três fatores principais explicam essa crise:

  1. Simões apoia Romeu Zema para a Presidência da República, mas seu partido, o PSD de Gilberto Kassab, pressiona por apoio ao candidato da própria sigla, criando conflitos internos.
  2. Com a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a crescente força do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o PL mineiro busca um candidato ao governo disposto a abrir palanque para Flávio, afastando-se de Simões.
  3. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) pode lançar sua candidatura ao governo como favorito nas pesquisas, atraindo partidos de direita que Simões almejava.

Popularidade baixa e necessidade de visibilidade

Apesar de pertencer ao PSD, partido com capilaridade nos municípios mineiros, Matheus Simões ainda é pouco conhecido pelo eleitorado. Como avalia o próprio Gilberto Kassab, o político ainda não tem recall junto à população.

Nas pesquisas de intenção de voto realizadas até agora, Simões geralmente fica abaixo dos 5%, um desempenho preocupante para quem busca se eleger governador. Sua aposta estava justamente na construção de uma frente ampla de direita e na visibilidade que começará a ter ao assumir o governo interino em março.

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A postura confrontadora com o Judiciário parece ser uma tentativa de atrair eleitores bolsonaristas e se posicionar como um político antissistema, em um momento onde sua base política tradicional mostra sinais de fragilidade. Resta saber se essa estratégia de risco trará os dividendos eleitorais esperados ou se aprofundará ainda mais as crises institucionais em Minas Gerais.