Lula estabelece condição recíproca para entrada de assessor americano no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta sexta-feira (13 de março de 2026), que o assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Darren Beattie, somente terá autorização para ingressar no território brasileiro quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, obtiver permissão para entrar nos Estados Unidos. A afirmação foi realizada durante agenda oficial no Rio de Janeiro, destacando uma medida de reciprocidade em resposta a restrições impostas pelo governo norte-americano.
Contexto do bloqueio de vistos e posicionamento firme
Lula relembrou publicamente que, no ano anterior, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de dez anos do ministro Padilha. Na ocasião, o visto do próprio ministro encontrava-se vencido, o que, tecnicamente, impossibilitava seu cancelamento. "Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde", afirmou o presidente, com tom enfático. Ele completou, dirigindo-se diretamente a Padilha: "Padilha, esteja certo que você está sendo protegido", reforçando o compromisso do governo federal com o membro de seu ministério.
Decisão do STF nega visita de Beattie a Bolsonaro
Na véspera da declaração presidencial, precisamente na quinta-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, já havia negado um pedido formal do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie. Em sua decisão, Moraes argumentou que a visita do assessor norte-americano a Bolsonaro não foi comunicada à diplomacia brasileira e não constava na agenda oficial que seria cumprida durante a estadia de Beattie no Brasil. Essa falta de transparência e formalidade foi um ponto crucial para a rejeição do pedido.
Preocupação com ingerência estrangeira em ano eleitoral
Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou um ofício ao ministro Alexandre de Moraes expressando preocupação. Vieira alertou que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República, especialmente em um ano eleitoral, poderia configurar uma indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro. Essa posição diplomática reforçou a decisão judicial, sublinhando os riscos políticos e de soberania envolvidos.
Detalhes do pedido de Bolsonaro e agenda planejada
O ex-presidente Jair Bolsonaro havia formalizado o pedido de autorização ao STF na última terça-feira (10), solicitando permissão para receber Darren Beattie. Aliado do presidente Donald Trump, Beattie atua no Departamento de Estado dos EUA e é responsável por questões relacionadas ao Brasil. A defesa de Bolsonaro pleiteou que o encontro ocorresse na segunda-feira (16) pela manhã ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estaria em visita oficial ao Brasil. O pedido também incluía a autorização para a entrada de um tradutor na prisão onde Bolsonaro se encontra, visando facilitar a comunicação durante a visita.
Este episódio evidencia as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, com reflexos diretos na política interna brasileira, particularmente em um período sensível como o ano eleitoral. A postura firme do governo Lula, aliada à decisão judicial do STF, demonstra um alinhamento institucional na defesa da soberania nacional e na aplicação do princípio de reciprocidade nas relações internacionais.
