Lula ameaça reciprocidade após EUA expulsarem delegado brasileiro envolvido em caso Ramagem
Lula ameaça reciprocidade após EUA expulsarem delegado brasileiro

Presidente Lula reage à expulsão de delegado brasileiro pelos Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira que não tem conhecimento detalhado sobre o caso do delegado brasileiro envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, mas afirmou que pode adotar medidas de reciprocidade contra uma autoridade americana no Brasil. As declarações foram feitas na porta de um hotel em Hannover, na Alemanha, durante conversa com jornalistas.

"Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil", disse Lula com firmeza. O presidente deixou claro que não aceitará "essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil".

Ministro das Relações Exteriores pede cautela

Em contraponto às declarações do presidente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, adotou um tom mais cauteloso ao comentar o assunto. "Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas", afirmou o chanceler brasileiro, indicando que o governo ainda busca informações oficiais sobre o caso.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Governo americano ordena saída de delegado brasileiro

Na segunda-feira (20), o governo dos Estados Unidos determinou oficialmente que o delegado brasileiro envolvido na prisão de Alexandre Ramagem deixe o território norte-americano. A medida foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano através de suas redes sociais.

Sem mencionar nomes especificamente, o comunicado americano acusou uma autoridade brasileira de tentar "contornar pedidos formais de extradição" para promover "perseguições políticas" dentro dos Estados Unidos. O texto afirma categoricamente: "Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso".

Identificação do delegado e contexto da missão

A TV Globo confirmou com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil que a autoridade mencionada é o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE). Carvalho foi designado para trabalhar em Miami em março de 2023, em uma missão de cooperação com o ICE com duração inicial de dois anos.

Entre suas principais atribuições estava:

  • A identificação de foragidos da Justiça brasileira em território americano
  • A prisão de procurados pela justiça do Brasil que estivessem nos Estados Unidos
  • A cooperação em operações conjuntas de segurança entre os dois países

Em março de 2025, o governo brasileiro publicou uma portaria que prorrogou a permanência do delegado na missão até agosto deste ano, demonstrando a continuidade do trabalho de cooperação bilateral.

Silêncio oficial das instituições brasileiras

O Itamaraty informou que não vai se manifestar sobre o assunto no momento atual, enquanto a Polícia Federal confirmou que não foi comunicada formalmente sobre a medida do governo norte-americano contra o delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Esta falta de comunicação oficial tem gerado desconforto nas relações diplomáticas entre os dois países.

A situação ocorre em um contexto de tensões políticas envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem, que foi preso recentemente nos Estados Unidos em uma operação que envolveu autoridades brasileiras e americanas. O caso tem despertado debates sobre os limites da cooperação internacional em matéria de justiça e segurança pública.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar