Ex-marqueteiro do PT alerta sobre riscos da participação de Lula e Janja no Carnaval
O ex-marqueteiro do Partido dos Trabalhadores, João Santana, responsável pelas campanhas eleitorais vitoriosas dos primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, manifestou críticas abertas ao envolvimento do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva, nos festejos do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026.
Estratégia política pode "sair pela culatra"
Para Santana, a possível participação direta de Janja como destaque na Marquês de Sapucaí, somada ao apoio público de Lula ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói - que terá como enredo a história do presidente - configura uma estratégia política que pode ter efeito contrário ao desejado.
"Me parece que se produzirá um cenário de soma negativa, onde todos saem perdendo", afirmou o experiente marqueteiro, destacando que "a relação Carnaval-Política sempre foi um jogo de equilíbrio delicado".
Riscos eleitorais em regiões estratégicas
Santana chamou atenção para os possíveis impactos negativos em regiões eleitorais cruciais para o governo:
- Interior de São Paulo e outros bolsões do Sudeste e Sul
- Comunidades evangélicas em todo o país
- Regiões onde Lula precisa desesperadamente de votos
"O maior risco não é o de vaias, mas a repercussão fora das bolhas de batucadas", avaliou, acrescentando que "Carnaval se presta mais para demolição do que para construção de imagem de político".
Comparação com eventos internacionais
O ex-marqueteiro fez uma analogia com a apresentação do porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Superbowl, que incluiu críticas ao ex-presidente americano Donald Trump. Santana argumentou que, se fosse um artista elogioso ao presidente em um evento cultural de tal magnitude, não teria tido a mesma repercussão positiva.
"Imagine o que aconteceria se, em lugar do genial Bad Bunny se colocasse no estádio o puxa-saco Kid Rock e artistas countrie trumpistas", questionou, sugerindo que o mesmo princípio se aplica ao caso brasileiro.
Preocupação com judicialização da política
Santana expressou preocupação adicional com o que chamou de "judicialização da política" invadindo o Carnaval. Segundo suas informações, a decisão final sobre a participação de Janja teria sido mais influenciada por análise da assessoria jurídica do governo do que por considerações estratégicas de comunicação.
"Não bastassem outros excessos, a judicialização da política chega, agora, ao terreno minado da politização do Carnaval", concluiu o experiente profissional de marketing político.
O alerta de João Santana ressoa como um aviso experiente sobre os riscos de misturar celebração carnavalesca com estratégia política em um ano eleitoral crucial, especialmente considerando seu histórico de sucesso em campanhas presidenciais do PT.



