João Campos chama CPI de concurso de 'espetáculo político' após arquivamento na Câmara do Recife
João Campos chama CPI de concurso de 'espetáculo político'

Prefeito do Recife classifica CPI sobre concurso como 'espetáculo político' após arquivamento

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), utilizou o termo "espetáculo político" para se referir ao pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que visava investigar a alteração do resultado de um concurso público municipal. A mudança controversa beneficiou o filho de um juiz que anteriormente havia arquivado uma operação que investigava suspeitas de corrupção na prefeitura.

Arquivamento da CPI e justificativa técnica

O requerimento de abertura da CPI, assinado por 13 dos 37 vereadores da Câmara Municipal do Recife, foi arquivado horas depois pelo presidente da casa, Romerinho Jatobá (PSB). A comissão teria como objetivo apurar denúncias de tráfico de influência e nepotismo na modificação do resultado do certame.

João Campos afirmou que a alteração do concurso, que foi posteriormente revogada por ele mesmo após a repercussão do caso, já estava "absolutamente superada de forma administrativa". O gestor municipal destacou que "as medidas técnicas foram tomadas" e elogiou a decisão do presidente da Câmara em arquivar o processo.

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Decisão do presidente da Câmara e recurso dos vereadores

Romerinho Jatobá reconheceu que foram cumpridos todos os requisitos formais para a abertura da CPI, incluindo o número mínimo de assinaturas e o prazo estabelecido. No entanto, ele alegou existir um "obstáculo insuperável à instauração da CPI: a ausência de fato determinado".

O presidente sustentou que esse requisito não foi atendido porque a nomeação questionada havia sido revogada por João Campos no dia 30 de dezembro de 2025. Ele também afirmou que não havia responsabilidade do prefeito ou do procurador-geral a ser apurada naquele momento.

O vereador Thiago Medina (PL), autor do pedido de abertura da CPI, já recorreu do arquivamento. Conforme o Regimento Interno da Câmara, os vereadores que assinaram o requerimento podem recorrer ao Plenário no prazo de cinco reuniões ordinárias, após parecer da Comissão de Legislação e Justiça.

Contexto político e manobras parlamentares

João Campos já havia sido alvo de um pedido de impeachment pelo mesmo caso, mas o processo foi votado e rejeitado em Plenário por 25 dos 37 parlamentares. O prefeito relacionou a tentativa de abertura da CPI ao ano eleitoral, afirmando que "tem muita gente que deseja aparecer no ano eleitoral".

Uma movimentação política curiosa ocorreu durante o processo de coleta de assinaturas: a 13ª assinatura no requerimento foi do vereador Osmar Ricardo (PT), que era suplente e estava na casa no lugar de Marco Aurélio Filho (PV). Horas após a última assinatura ser obtida, João Campos exonerou Marco Aurélio do cargo de secretário de Direitos Humanos e Juventude do Recife para que ele reassumisse como vereador, levando Osmar Ricardo de volta à suplência.

Detalhes do caso do concurso público

Conforme a denúncia que motivou o pedido de CPI, o advogado Marko Venício dos Santos Batista, aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD), deixou de ser nomeado. Em seu lugar, foi convocada outra pessoa: Lucas Vieira da Silva, que havia ficado em 63º lugar nas vagas de ampla concorrência.

O candidato beneficiado é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e do juiz Rildo Vieira da Silva, da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária do Recife. O magistrado havia arquivado um processo envolvendo a prefeitura por suspeita de corrupção.

A reclassificação ocorreu dois anos após a homologação do resultado do certame, após Lucas Vieira apresentar laudo de autismo e pedir para ser inscrito nas vagas PCD. Três procuradoras concursadas opinaram pelo indeferimento do pedido, considerando que a medida violaria normas do edital.

Mesmo assim, o procurador-geral do município, Pedro Pontes - nomeado por João Campos - determinou a reclassificação, beneficiando o filho do juiz. Após a repercussão do caso, o prefeito voltou atrás e nomeou o advogado com deficiência que foi inicialmente aprovado.

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