Japonês da Federal assume cargo na prefeitura de Cuiabá como secretário-adjunto
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini do Partido Liberal (PL), oficializou nesta segunda-feira, dia 2, a nomeação de Newton Hidenori Ishii, amplamente reconhecido como o Japonês da Federal, para o cargo de secretário-adjunto na administração municipal. Ishii atuará como comissionado e estará diretamente subordinado ao secretário chefe da pasta, Ananias Filho, que também integra o PL e ocupa a presidência estadual do partido.
Atribuições e expectativas do novo cargo
Na função de secretário-adjunto, a prefeitura de Cuiabá espera que Newton Hidenori Ishii contribua significativamente para a articulação institucional, com foco especial em práticas de compliance e no fortalecimento do diálogo entre as diversas pastas do governo municipal. Sua experiência anterior em operações de grande escala é vista como um trunfo para otimizar a comunicação e a eficiência administrativa.
Trajetória polêmica e notoriedade pública
Ishii ganhou notoriedade nacional ao atuar como escolta de políticos, empresários, doleiros e funcionários públicos durante o cumprimento de decisões judiciais na Operação Lava Jato. Antes desse episódio, ele já havia trabalhado para a ditadura militar na década de 1970, conforme revelou em entrevista ao programa Conversa com Bial em 2018.
Entretanto, sua carreira foi marcada por controvérsias. Em junho de 2016, ele foi preso pelo crime de facilitação do contrabando, processo que transitou em julgado e não admite mais recursos. Na ocasião, foi transferido da Superintendência da Polícia Federal para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil no Paraná.
Pouco tempo depois, em setembro de 2016, Ishii retomou suas atividades como escolta da Polícia Federal, mesmo utilizando uma tornozeleira eletrônica. O uso do dispositivo de monitoramento foi necessário devido à falta de vagas no sistema penitenciário para o cumprimento do regime semiaberto tradicional.
Questões judiciais e aposentadoria
Em 2009, Ishii foi condenado enquanto estava aposentado, sem que a Justiça estabelecesse determinações relacionadas ao trabalho. Posteriormente, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou sua aposentadoria irregular por problemas na contagem do tempo de serviço.
Já em 2018, seu pedido de aposentadoria especial voluntária foi concedido. O mandado foi expedido pela Vara de Execução Penal da Justiça Federal em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, no contexto da Operação Sucuri, que investigou o envolvimento de agentes no contrabando pela fronteira. Ao tomar conhecimento da decisão, Ishii se apresentou na sede da Polícia Federal na época.
Repercussão cultural e legado
Após a grande repercussão durante a Lava Jato, a figura do Japonês da Federal até inspirou uma marchinha de carnaval em Olinda, onde um boneco gigante foi criado em sua homenagem. Essa peculiaridade destaca o impacto cultural de sua trajetória, que agora se entrelaça com a política municipal de Cuiabá.
