Governador do DF exonera aliados após votação polêmica sobre socorro ao BRB
Ibaneis exonera aliados após votação sobre socorro ao BRB

Governador do DF exonera aliados após votação polêmica sobre socorro ao BRB

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tomou uma medida drástica nesta terça-feira (3) ao exonerar indicados de deputados distritais da base governista que votaram contra o projeto de lei que autoriza o repasse de nove imóveis públicos da capital federal ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A decisão ocorreu apenas 30 minutos após o fim da votação na Câmara Legislativa, demonstrando a rapidez da retaliação política.

Votação apertada e consequências imediatas

O Projeto de Lei foi aprovado por uma margem estreita de 14 votos a favor contra 10, em dois turnos de votação. O texto agora segue para sanção do próprio governador Ibaneis Rocha, que já se manifestou sobre as exonerações. Em declaração à TV Globo, o governador foi direto: "É a política. Ou é base ou não é. Ainda terá mais [exoneração]", completando que foi "feito o que era necessário".

As exonerações foram publicadas em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal e atingiram quatro cargos estratégicos: o secretário de Projetos Especiais Marcos Araújo Pinto Teixeira; o administrador regional de São Sebastião, Roberto Medeiros Santos; o administrador regional do SIA, Bruno Ericky Francisco Alvim de Oliveira; e o diretor-presidente do Jardim Botânico de Brasília, Allan Freire Barbosa da Silva.

Deputado mais afetado e silêncio político

Conforme apurações da TV Globo, o deputado mais impactado pelas medidas foi Thiago Manzoni (PL). Dos quatro exonerados, três eram seus indicados diretos. O distrital, no entanto, optou por não comentar publicamente sobre o ocorrido, mantendo um silêncio estratégico diante da situação delicada.

Detalhes do projeto de socorro ao BRB

O projeto em tramitação estabelece três principais mecanismos para transformar os imóveis públicos em ajuda financeira ao BRB:

  1. Inclusão direta no patrimônio do banco: O governo do DF poderá transferir diretamente os imóveis para o BRB, que passariam a constar como ativos imobilizados no capital da instituição financeira.
  2. Venda dos imóveis: O documento autoriza expressamente a comercialização dos nove lotes incluídos na lista, que atualmente compõem o patrimônio do Distrito Federal ou de órgãos da administração indireta como Terracap, Novacap, CEB e Caesb.
  3. Outras medidas financeiras: O projeto abre espaço para que o BRB e o governo do DF utilizem "outras medidas permitidas em lei" para reforçar o patrimônio do banco, incluindo a possibilidade de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou instituições financeiras privadas.

Divisão na Câmara Legislativa

A votação revelou uma clara divisão entre os parlamentares distritais:

Votaram a favor (14 deputados): Daniel Donizet (MDB), Doutora Jane (AGIR), Eduardo Pedrosa (União Brasil), Hermeto (MDB), Iolando (MDB), Jaqueline Silva (AGIR), Joaquim Roriz (PL), Jorge Vianna (PSD), Martins Machado (Republicanos), Pastor Daniel de Castro (PP), Pepa (PP), Robério Negreiros (PSD), Roosevelt Vilela (PL) e Wellington Luiz (MDB).

Votaram contra (10 deputados): Chico Vigilante (PT), Dayse Amarílio (PSB), Fábio Félix (PSOL), Gabriel Magno (PT), João Cardoso "Professor Auditor" (Avante), Max Maciel (PSOL), Paula Belmonte (Cidadania), Ricardo Vale (PT), Rogério Morro da Cruz (PMN) e Thiago Manzoni (PL).

Posicionamento oficial do BRB

O Banco de Brasília emitiu nota oficial informando que "a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, nesta data, o Projeto de Lei nº 2.175/2026, que estabelece medidas a serem adotadas pelo Distrito Federal, como acionista controlador, para o fortalecimento das condições econômico-financeiras do BRB". A instituição destacou que as próximas etapas incluem o envio do texto para sanção do Governador do Distrito Federal e a adoção dos procedimentos internos e regulatórios necessários.

O banco reafirmou seu compromisso com transparência e ética, prometendo manter acionistas e mercado informados sobre os desdobramentos do Projeto de Lei, conforme sua Política de Divulgação e a Resolução CVM nº 44/2021. A medida representa um capítulo significativo nas relações entre o poder executivo distrital e sua base de apoio legislativo, com potencial para reconfigurar alianças políticas na capital federal.