Profissionais da educação municipal iniciam greve em Curitiba por melhores condições
Os profissionais da educação da rede municipal de Curitiba deram início a uma greve na manhã desta quarta-feira (8), resultando na suspensão de aulas em algumas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Até o momento da última atualização, o número oficial de adesão à paralisação ainda não havia sido divulgado pelas autoridades competentes.
Funcionamento parcial e medidas de mitigação
O secretário municipal de educação, Paulo Schmidt, afirmou que aproximadamente 95% das unidades educacionais continuam atendendo os alunos, mesmo com a paralisação em andamento. Schmidt expressou esperança de que a normalização das atividades ocorra a partir de quinta-feira (9). Segundo informações apuradas pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o funcionamento é parcial em muitas unidades, com professores que aderiram à greve e outros que unificaram turmas para manter o atendimento mínimo aos estudantes.
"Desde que nós tivemos o anúncio de greve, trabalhamos num plano de mitigação. Tanto que hoje, uma parte deste funcionamento está sendo garantido com o pessoal aqui da secretaria e um pessoal dos núcleos, porque nossa prioridade é atender os alunos. [...] Temos que sentar, discutir, conversar e garantir que a população não tenha maiores prejuízos", declarou o secretário municipal de educação.
Reivindicações dos profissionais da educação
De acordo com o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), a paralisação foi motivada por uma série de reivindicações da categoria. As principais demandas incluem:
- Falta de profissionais nas escolas, resultando em sobrecarga e adoecimento de professores
- Ausência de apoio adequado para inclusão, com carência de profissionais especializados e turmas superlotadas
- Desorganização no início do ano letivo, com orientações improvisadas e aulas ministradas fora da área de formação dos docentes
- Problemas estruturais nas escolas, incluindo obras inacabadas e uso de espaços improvisados
- Falhas na instalação de ar-condicionado, com equipamentos que não funcionam adequadamente ou apresentam riscos
- Desvalorização profissional, com falta de reconhecimento para professores que possuem especialização, mestrado e doutorado
Os profissionais se concentraram na Praça 19 de Dezembro, no Centro da capital, no início da manhã, e partiram em caminhada em direção à prefeitura municipal. Vale destacar que os profissionais da educação já estavam em estado de greve desde novembro de 2025.
Decisão judicial considera greve ilegal
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) considerou ilegal a paralisação dos profissionais da educação. Em uma primeira liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira declarou que a "greve é abusiva" e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil ao SISMMAC, caso o movimento fosse iniciado, além do desconto dos salários dos servidores que aderissem à paralisação.
A decisão judicial apontou que não houve esgotamento das negociações entre as partes, nem garantia de percentual mínimo de servidores em atividade durante a greve. A liminar também destacou que o prazo mínimo de 72 horas para comunicação da greve não foi respeitado pelos organizadores do movimento.
Uma segunda liminar, assinada pelo desembargador Coimbra de Moura, determinou que o Sismuc não iniciasse a paralisação nem impedisse o acesso de servidores e usuários às unidades educacionais. O descumprimento desta determinação prevê multa diária de R$ 20 mil ao sindicato.
Posicionamento dos sindicatos
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a presidente do SISMMAC, Diana de Abreu, afirmou que a paralisação está mantida, apesar das decisões judiciais. "Ilegal é manter as condições de trabalho que são garantidas hoje na prefeitura, negar o direito da criança a ter uma educação de qualidade, ilegal é não garantir profissional de apoio para as crianças que precisam de inclusão. Ilegal é não cumprir as leis que garantem hora atividade e piso nacional para os professores", declarou a líder sindical.
Nota oficial da prefeitura
Em nota oficial, a Prefeitura de Curitiba informou que as escolas e CMEIs devem manter atendimento normal durante a paralisação. A administração municipal afirmou que o diálogo com os sindicatos segue aberto e destacou a contratação de aproximadamente 1,2 mil profissionais para a rede de educação municipal.
Segundo a prefeitura, também houve avanços significativos na carreira dos servidores, com progressões e atualizações salariais nos últimos anos, além de propostas para ampliar vagas de crescimento e melhorar percentuais de avanço na carreira docente. "Na prática, isso significa muito mais vagas já neste processo de crescimento, ampliando de forma concreta as oportunidades para quem se inscreveu [...] A Prefeitura também apontou aumento nos percentuais de crescimento na carreira, melhoria no vale-alimentação e sinalizou que os próximos ciclos podem ser ainda maiores", afirma a nota oficial da administração municipal.



