Governo Lula evita greve de caminhoneiros com MP histórica sobre piso do frete
Governo evita greve de caminhoneiros com MP sobre piso do frete

Governo Lula evita greve de caminhoneiros com MP histórica sobre piso do frete

As especulações sobre uma possível greve dos caminhoneiros, incitadas por influenciadores e pelo ecossistema midiático bolsonarista no início da semana, envolveram uma verdadeira operação de guerra na Secretaria-Geral da Presidência, ministério comandado por Guilherme Boulos. A ação impediu o uso eleitoreiro da categoria e aproximou o governo dos profissionais autônomos, que já foram usados como massa de manobra eleitoreira por Jair Bolsonaro em 2018 e em 2022.

Detecção do movimento e aproximação estratégica

Nos grupos de Telegram bolsonaristas, Carlos Bolsonaro, comandante do reativado Gabinete do Ódio, liderou a ofensiva com publicações sobre a alta dos combustíveis – provocada pela guerra no Irã, desencadeada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu – e uma mentirosa crise de abastecimento. Segundo apuração, o movimento foi detectado pela Secretaria-Geral da Presidência, que se aproximou principalmente dos caminhoneiros autônomos, mais suscetíveis aos achaques eleitorais por arcarem com os aumentos dos combustíveis.

Como Lula e Fernando Haddad, que deixou o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo, já haviam zerado os impostos federais – Pis e Cofins – sobre o diesel, coube à equipe de Boulos ouvir as demandas dos caminhoneiros. Enquanto a Polícia Federal intensificou a ação contra especuladores, especialmente empresários e distribuidoras, com mais de 400 operações contra aumentos abusivos dos combustíveis, a equipe de Boulos levou a principal demanda dos caminhoneiros ao gabinete de Lula no Palácio do Planalto.

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Medida Provisória histórica e cancelamento da greve

“Ontem o Lula assinou uma Medida Provisória que endurece a fiscalização do piso do frete. Porque tem muito empresário malandro neste país e eles não estavam pagando o piso do frete dos caminhoneiros. Em 2018, na greve histórica, foi estabelecido que cada caminhoneiro autônomo tem que receber o piso. E eles estavam burlando isso. Então, o governo agora vai pra cima pra garantir que se pague o mínimo, com fiscalização eletrônica nas empresas, que podem ter até cassação de registro de operação”, afirmou Boulos em entrevista à Rádio Nacional na manhã desta sexta-feira (19).

Toda negociação, que resultou ainda em uma reunião com a categoria que acontece na próxima quarta-feira (25), foi conduzida pela equipe de Boulos, que recebeu o sinal positivo dos caminhoneiros nesta quinta-feira (19), com o cancelamento da greve. “É uma Medida Provisória que a gente ficou muito feliz. Desde 2018 que não tinha nada parecido, o governo se preocupou. Para a gente, não existe partido ou político de estimação. Seja A ou seja B, seja Lula, Bolsonaro, Ciro, quem estiver lá a gente vai respeitar. E, felizmente, está sendo atendido hoje. O governo que está no poder está atendendo nossa categoria”, anunciou Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista.

Reação das lideranças e próximos passos

Em vídeo detalhando a negociação nas redes sociais, Santos explicou como se deu a negociação, atendida pelo governo. “O governo ficou bem atento nessa questão, atendeu o nosso pedido, fez uma medida provisória de ontem para hoje que atende um pedido desde 2018 que ninguém fez. Agora estamos sendo atendidos. É o início do sonho, que nem a gente sempre diz, que o piso mínimo é vida, o piso mínimo sendo cumprido”, afirmou. “Tem alguns caminhoneiro chateados que queriam fazer greve. Greve a gente faz quando a gente perde. O óleo diesel aumenta, o frete tem que aumentar”, emendou o caminhoneiro, ressaltando a negociação com o governo Lula.

Além de Santos, o líder da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim, conhecido como Chorão, também estará na comitiva de caminhoneiros que será recebida por Boulos. “Agora a gente vai trabalhar em conjunto com todas as lideranças, a partir de segunda-feira, reunião em Brasília, para a gente colocar as emendas dentro da MP para proteger a categoria referente à questão dos seguros, GRs, referente à igualização do peso dos caminhões e outras coisas que a gente precisa colocar lá na MP”, afirmou Landim.

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