Disputa territorial entre Goiás e Tocantins suspensa após erro em mapa dos anos 70
GO e TO suspendem disputa territorial após erro em mapa histórico

Paraíso turístico da Chapada dos Veadeiros vira cenário de disputa estadual

Em uma audiência de conciliação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), os estados de Goiás e Tocantins chegaram a um acordo para suspender temporariamente a ação judicial que discute a titularidade de aproximadamente 12,9 mil hectares localizados ao norte de Cavalcante, no nordeste goiano. A controvérsia, que envolve áreas turísticas estratégicas como o Complexo do Prata, teve origem em um erro cartográfico histórico.

Erro em mapa dos anos 70 desencadeia impasse geográfico

O conflito territorial surgiu devido a um "erro material de toponímia" identificado em uma carta topográfica do Exército datada de 1977. Este documento teria nomeado cursos d'água de forma equivocada, levando a uma interpretação errônea dos limites estabelecidos pela legislação durante a criação do Estado do Tocantins, promulgada pela Constituição Federal de 1988.

Consequentemente, a linha divisória no território onde vivem comunidades Kalungas ficou indefinida, gerando incertezas sobre qual estado deveria oferecer serviços públicos e manter a infraestrutura local. Moradores da região cresceram, trabalharam e buscaram atendimento em uma área que, na prática, permaneceu sem uma definição clara de pertencimento estadual.

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Suspensão da ação e levantamento técnico conjunto

A ação judicial ficará suspensa até o dia 22 de junho para a realização de um levantamento técnico conjunto sobre a linha divisória entre os dois estados. Durante este período, o STF garantiu que os serviços públicos oferecidos à população local não sofrerão nenhuma alteração, assegurando a continuidade do atendimento às comunidades afetadas.

Na audiência de conciliação, estiveram presentes representantes de ambos os estados:

  • Por Goiás: O Procurador-Geral do Estado, Rafael Arruda Oliveira, acompanhado de subprocuradores, técnicos do Instituto Mauro Borges e da gestão municipal de Cavalcante, incluindo o prefeito Vilmar Kalunga.
  • Por Tocantins: O Procurador-Geral, Jax James Garcia Pontes, subprocuradores, especialistas em cartografia do Instituto de Terras do Estado do Tocantins (ITERTINS) e em planejamento estratégico, além de representantes da Secretaria dos Povos Originários e da prefeitura de Paranã.

Complexo do Prata: joia turística em jogo

O processo judicial envolve o controle territorial de áreas turísticas de grande relevância, destacando-se o Complexo do Prata, um dos principais atrativos da Chapada dos Veadeiros. Esta região é conhecida por seus poços cristalinos e diversas cachoeiras, atraindo visitantes de todo o país e gerando significativa movimentação econômica.

A Procuradoria Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) entrou com uma ação cível em novembro de 2025 no STF, denunciando uma suposta ocupação irregular por parte do Tocantins. Goiás reivindica a titularidade da área conhecida como Quilombo Kalunga dos Morros, argumentando que o estado vizinho tem invadido sua jurisdição ao oferecer serviços públicos em território goiano.

Pedidos de Goiás e próximos passos

No âmbito da ação, Goiás solicita ao Supremo Tribunal Federal uma tutela de urgência para que os limites naturais sejam fixados corretamente, assegurando o reconhecimento de sua soberania sobre a área em disputa. O pedido inclui a desocupação administrativa imediata por parte do Tocantins, visando restaurar a divisa territorial conforme o planejamento original previsto na criação do novo estado.

Este caso ilustra como impasses geográficos e jurídicos podem persistir mesmo após processos de reorganização territorial, impactando diretamente a vida de comunidades locais e a gestão de recursos turísticos valiosos. A resolução definitiva do conflito dependerá dos resultados do levantamento técnico conjunto, que buscará esclarecer de uma vez por todas os limites entre Goiás e Tocantins nesta região estratégica.

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